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O POETA, A PAISAGEM E A POESIA O
universo poético de João Cabral de Melo Neto é, principalmente,
o da zona da mata e do sertão nordestino. Sua poesia remete o leitor
constantemente às cidades de Olinda e de Recife com seus casarões
antigos , seus mares e rios importantes como o Beberibe e o Capibaribe,
e aos canaviais da zona da mata pernambucana. Mas também remete
para a vegetação escassa da caatinga e à dor do agreste
brasileiro. Por isso mesmo, dois de seus livros, "Pedra do sono",
de 1942 e "A educação pela pedra", de 1966,
trazem no título a idéia de pedra, símbolo da secura
sertaneja e do solo pedroso da região.
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Personalidade sensível, obsessiva, angustiada e fascinante. O poeta e diplomata João Cabral de Melo Neto recebeu inúmeros prêmios literários importantes como o New Stadium International Prize, em 1992, nos Estados Unidos e na Espanha, em 1994, o prêmio Rainha Sofia de Poesia pelo conjunto de sua obra. Além disso João Cabral foi, durante vários anos, um dos fortes candidatos ao Nobel de Literatura, mas estes fatos não abalaram ou comoveram o escritor que não acreditava em vitórias literárias. Coerente
com sua idéias, João Cabral não gostava de dar entrevistas
e receber homenagens. Em 1968, quando sua original poesia ainda provocava
impacto nos meios literários, o sempre polêmico Cabral, num
depoimento para o disco " Cabral por ele mesmo",
chegou a afirmar que se considerava um marginal da poesia luso-brasileira
ao definir-se como poeta. Nos
últimos anos de sua vida ele estava quase cego (o que o impedia
de ler e escrever ) e enfrentava muitos problemas de saúde. Mesmo
assim o poeta continuava com grande vitalidade intelectual. Exigente e
corajoso, nunca se sentia plenamente satisfeito como criador. Considerava
que sua obra estava ainda em processo. Poesia é risco, costumava
avaliar.
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