1965. Milhões de americanos desconfiam que seu país não
tem nenhuma relação comercial com o Vietnã. Inicia-se
uma onda de protesto que ameaça afundar o país.
Abril, 1973. Após dez anos de guerra cruel, os últimos
soldados americanos deixam Saigon numa retirada vergonhosa. Até
hoje, a maior parte da opinião pública americana deplora
a teimosa permanência de seu país numa guerra distante,
onde quarenta e sete mil americanos perderam suas vidas. Termina finalmente
a mais longa guerra do século XX. Os japoneses e franceses, desde
há muito tempo, haviam sido forçados a ceder à
determinação deste povo corajoso e independente.
Foi a primeira guerra da televisão. Noite após noite,
os noticiários de TV mostravam às famílias americanas
todo o horror de uma guerra inútil e distante a que o seu próprio
governo as submetia.
Os veteranos da Segunda Guerra Mundial foram os primeiros a sair às
ruas em protesto contra a política de guerra do presidente Lyndon
Johnson.
Novembro, 1969. Duzentas e cinqüenta mil pessoas reúnem-se
em Washington para exigir a retirada das tropas americanas do Vietnã.
A visita do vice-presidente Hubert Humphrey a Paris, alguns meses antes,
provoca violentas manifestações. Intelectuais de esquerda
- dentre os quais, o célebre escritor Jean-Paul Sartre - vão
às ruas tomados por um antiamericanismo centrado no problema
da guerra.
Perturbada com a onda de oposição no país, a CIA
lança um programa denominado "Operação Caos", infringindo
a lei que proíbe operações clandestinas em território
norte-americano. A agência se infiltra nas universidades, especialmente
nos centros acadêmicos de pacifistas declarados. Chega até
mesmo a grampear o telefone da atriz Jane Fonda, amiga de uma norte-vietnamita.
"Unamo-nos pela paz. Unamo-nos também contra a derrota. Porque
é preciso entender, o Vietnã do Norte não pode
derrotar ou humilhar os Estados Unidos. Só os americanos podem
fazer isso". Essas são as palavras de Richard Nixon.
Mas, em breve os americanos conhecerão a humilhação
da derrota. E toda uma geração começa a pôr
em xeque alguns valores cultivados por muito tempo pelos americanos.
As terríveis ondas de conflito racial, paralelas à guerra,
marcaram profundamente a longa tradição de respeito moral
da América. E dentre os jovens, velhos, universitários,
operários, mulheres e crianças que se manifestam contra
os males das guerras internacionais, os veteranos da tragédia
do Vietnã ocupam geralmente as primeiras filas. Sem dúvida,
a guerra divide profundamente o próprio Vietnã. Durante
a Paz de Paris, veremos discursos conflitantes entre os pró-americanos
e os pró-comunistas: todos vietnamitas.
Bob Dylan cantou "os tempos estão mudando". Estava certo. Quem
iria pensar que os soldados americanos queimariam seus certificados
militares num país onde o patriotismo é uma bandeira de
orgulho?! Mas, finalmente, foi por amor ao país que tantos americanos,
cansados de ver sua nação numa guerra interminável
e despropositada, preferiram a humilhação da derrota às
sucessivas sepulturas de seus jovens mortos em vão.
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