Em 1969, o homem pisou o solo da Lua e milhões de pessoas assistiram
ao evento. Dois anos antes, outro evento havia dado início a
uma nova era para a medicina: o primeiro transplante de coração,
realizado pelo doutor Christian Barnard.
3 de dezembro de 1967: um noticiário da África do Sul
anuncia uma revolução na ciência médica.
Louis Washkansky está perto de receber um coração
humano, o coração de uma mulher de 25 anos que acabara
de morrer em um acidente.
O doutor Christian Barnard, cirurgião da Cidade do Cabo, na África
do Sul, é o responsável por esta operação
histórica. Louis Washkansky tem 55 anos e sofre de uma doença
cardíaca incurável.
O Dr. Barnard e sua equipe realizam a cirurgia, que demora cinco horas
e parece ter sido um sucesso. Mas, àquela altura ainda não
se conheciam os efeitos colaterais de transplantes deste tipo. Louis
Washkansky dá sinais de estar rejeitando o novo coração;
sofre uma infecção pulmonar e morre 18 dias depois do
transplante. Mas, a partir daquele dia, acontecem transplantes nos Estados
Unidos, na França, no Canadá, no Brasil. Aos poucos, os
problemas de rejeição foram sendo controlados.
Atualmente, há muitos homens e mulheres no mundo que, passado
o período crítico da adaptação, vivem bem,
depois de terem recebido um coração transplantado. Graças
ao doutor Barnard, o primeiro a ousar fazer um transplante de coração
entre dois seres humanos, a primeira cirurgia no corajoso Louis Washkansky
abriu caminho para novas tentativas, de sucesso sempre crescente.
As doenças cardíacas estão entre as principais
causas de mortes, mas a ciência médica tem conseguido grandes
progressos neste setor, a partir da primeira operação.
Atualmente, os conhecimentos sobre os circuitos elétricos ativos
no coração têm ajudado a corrigir alterações
no ritmo cardíaco. Já se tornou mais fácil localizar
as anomalias e descobrir suas causas. A ciência médica
já sabe como desobstruir artérias. Determinadas veias
podem ser retiradas do tórax e reimplantadas no coração,
para melhorar o fluxo sangüíneo. Para os pacientes que não
podem ser submetidos a este tipo de cirurgia, é possível
remover uma porção de tecido muscular - do braço,
por exemplo - que, depois de receber o implante de um eletrodo, passa
a estimular os batimentos cardíacos. Hoje, somos os beneficiários
desta revolução na medicina. E podemos esperar que o futuro
nos reserve surpresas ainda maiores.
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