Outubro de 1989: o Partido Comunista Húngaro se autodissolve.
Trinta e três anos antes, a história era bem outra.
1953: a Guerra Fria dividiu o mundo em Leste e Oeste, entre Estados
Unidos e União Soviética.
Imre Nagy torna-se premiê da Hungria. Faz críticas à
influência soviética no país e, em 1955, é
substituído por Matyas Rakosi que, por sua vez, é substituído
por Erno Gero. Um ano depois, Nagy volta ao poder.
Dia 23 de outubro de 1956: estudantes húngaros saem às
ruas em manifestações a favor da democracia. As demonstrações
evoluem e tomam feições de levante. Nagy exclui a Hungria
do Pacto de Varsóvia - a aliança militar de influência
soviética.
Moscou decide que Nagy foi longe demais. As tentativas diplomáticas
de superar a crise não dão resultado.
Dia 3 de novembro de 1956: três semanas depois de Nagy ter reassumido
o poder, os tanques soviéticos cercam Budapeste. Às 4
horas da madrugada seguinte, tomam a cidade. Oito mil húngaros
são mortos.
O levante da Hungria é sufocado em 12 de novembro. Um governo
da confiança de Moscou, sob o comando de Janos Kadar, substitui
Nagy. O povo conta e enterra os seus mortos.
Nagy se refugia na embaixada da Iugoslávia. O presidente Tito,
que se opôs à intervenção soviética,
recebe a garantia de Kadar de que Nagy não será molestado.
Mas, uma vez fora da embaixada, Nagy é preso e, dois anos depois,
executado.
As tropas russas se retiram e a Hungria volta a se alinhar entre os
países do Pacto de Varsóvia. O povo dá sinais de
insatisfação com o governo de Kadar. Recomeçam
os protestos, rapidamente sufocados. Os operários declaram-se
em greve geral e o movimento estende-se por semanas.
Muitos dos líderes do levante são mandados para a União
Soviética. E vários deles não voltam à pátria.
Cento e cinqüenta mil húngaros fogem para o Ocidente. Entre
estes, grande número de especialistas de alta qualificação.
É outra dura perda que a Hungria sofre, superior até aos
danos materiais.
Janos Kadar comandará a Hungria durante trinta anos. Graças
à glasnost, Imre Nagy - 31 anos depois de ter sido executado
- recebe a homenagem de seu povo e é reconhecido como herói
nacional.
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