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Padre José de Anchieta Apóstolo do Novo Mundo |
| "Aqui fizemos uma casinha pequena de palha, e a porta estreita de cana. As camas são redes que os índios costuram; os cobertores, o fogo, para o qual, acabada a lição à tarde, vamos buscar lenha no mato e a trazemos às costas, para passarmos a noite. A roupa é pouca e pobre, sem meias ou sapato, de pano de algodão... A comida vem dos índios, que nos dão alguma esmola de farinha e algumas vezes, mas raramente, alguns peixinhos do rio e mais raramente ainda, alguma caça do mato." Trecho de carta de Anchieta a Inácio de Loyola -1554. |
Corria o ano de 1540. Depois de quase cinqüenta anos das grandes viagens de portugueses e espanhóis, as pessoas mais esclarecidas começavam a aceitar o fato de que a Terra era redonda.
Acostumado desde pequeno a contemplar embarcações que se lançavam à aventura de conquistar novos mares, terras e riquezas, José provavelmente já acalentava o sonho de viagens e novos conhecimentos. Quem sabe esse impulso para o descobrimento de outras paragens e culturas o tenha levado também a escolher a carreira sacerdotal, a fim de cumprir o seu destino de construir uma obra abrangente e renovadora em terras virgens. |
Um olhar para o passado...O padre José, aos sessenta e dois anos, tinha ainda no coração aquela inquietude e sede de conhecimento do menino. Mas, o corpo cansado queria descansar da vida dedicada à aventura, à peregrinação, ao desbravamento de um mundo misterioso. Seus olhos se enchiam de satisfação ao lembrar como estava contente o menino aventureiro que ainda tinha dentro de si: fora ele quem sonhara a vinda para o Brasil; o trabalho de evangelização; a fundação da vila que se tornaria a metrópole de São Paulo; a participação no nascimento da cidade do Rio de Janeiro; o ensino do latim; o aprendizado e a uniformização da língua dos índios brasileiros; as agruras dos tempos de refém em Ubatuba; as batalhas; as reconciliações. O menino lançava para o velho olhares de alegria não só pelas grandes realizações, mas também pelo dever cumprido da evangelização.
No outono da vida, Anchieta só podia percorrer curtas distâncias a pé, apoiado no inseparável cajado: a corcunda já não lhe permitia mais andar a cavalo. Mesmo assim, não deixava de cumprir suas visitas pastorais, uma herança da época em que era provincial. Aproveitou o tempo entre elas para escrever oito dos doze autos para a catequese. Nessas obras ele falava diretamente ao coração dos curumins, que assim recebiam a palavra de Deus. |
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ao faminto povo dais com vossa vinda pão de trigo novo." |
Nova Almeida - ES |
esse vosso trigo, mas Jesus amigo é vosso desejo." |
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"Antes do Renascimento, ao longo da Idade Média, todo teatro se representava nos adros da Igreja, isto é na entrada da Igreja, não dentro do recinto do templo. Lá então se faziam durante a Idade Média as chamadas representações sagradas que são comuns a todas as culturas.
Só que ele teve, vamos dizer, a inteligência, o bom senso de escrevê-los em tupi, e secundariamente em português, o que faz supor que os autos eram assistidos e até representados também por colonos... Esse teatro de Anchieta é as vezes muito informal, são lutas entre o bem e o mal representadas pelos anjos bons e anjos maus. O demônio entra a todo o momento, sai e é espancado... Os índios deviam divertir-se muito com essas representações." Depoimento de Alfredo Bosi Professor de Literatura Brasileira - USP |
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Reritiba, palco dos últimos anos de Anchieta, viu também o padre José dedicar suas noites à oração e ao trabalho de escrever a história da Companhia de Jesus no Brasil.
A obra de Anchieta como apóstolo do Novo Mundo não haveria de passar despercebida das autoridades da Igreja, desde a época em que vivia. Mas, coube a João Paulo II, que presidiu a beatificação do padre José em 1980, o reconhecimento do Vaticano por sua dedicação à causa da evangelização. |