A própria ascendência
de Anchieta já parecia destiná-lo a um futuro de grandes
realizações. Nascido em São Cristóvão
da Laguna, na Ilha de Tenerife, teve como pai João Lopes de Anchieta,
da província de Guipuscoa. Revolucionário, tomou parte na
Revolta dos Comuneiros contra o imperador Carlos V, na Espanha. Condenado
à morte, foi salvo por interferência de um parente militar
ilustre, o capitão Inigo de Loyola (Inácio de Loiola, mais
tarde fundador da Companhia de Jesus). Por precaução, mudou-se
para as Canárias. A mãe de Anchieta, Mência Dias de
Clavijo y Llarena, natural das próprias Canárias, era neta
de conquistadores.
Ao fazer voto de castidade diante do Altar de Nossa Senhora, na Catedral
de Coimbra, Anchieta tinha 17 anos. O mundo vivia uma fase de revelações
assustadoras. Alguns cientistas mais avançados, entre eles o polonês
Nicolau Copérnico, provaram que a Terra girava em torno do Sol,
e não o contrário. Surgiam as literaturas nacionais, e o
Renascimento marcava a expansão de todas as artes. Nesse mundo
em rápida mudança, a religião católica entrou
em crise. O poder antes monolítico e incontestável da Igreja
de Roma passou a ser desafiado. Em vários países surgiram
movimentos para reformar a fé cristã. O protestantismo -
representado em especial pelas fortes correntes do luteranismo e do calvinismo
- rompeu com a Igreja de Roma.
Surgia dentro do catolicismo romano um movimento contrário ao dos
protestantes, movido pelo espírito de reforma e liderado pela Companhia
de Jesus, fundada por Inácio de Loiola. Os jesuítas estabeleceram
sólida base em Portugal, de onde partiram para o Novo Mundo com
as graças do rei Dom João III. O objetivo era catequizar
os habitantes das terras recém-descobertas. |