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LOGO Lua: da paixão à conquista

        Se é verdade 
        que a realidade só existe a partir do momento em que existe um 
        observador... se é verdade que somos parte dessa criação 
        e, portanto, também criadores - mesmo que seja ínfima a 
        nossa participação -, merece louvor o nosso bom gosto, o 
        apurado senso estético na produção desse belíssimo 
        sistema duplo Terra - Lua.

O equilíbrio dinâmico das forças gravitacionais do planeta e seu satélite cria movimentos dignos dos efeitos especiais das melhores produções da cinematografia sideral. E o iluminador caprichou, posicionando o Sol como fonte de luz de maneira a propiciar maravilhosas combinações de cores e formas a partir dessas duas esferas reflexivas, com incríveis jogos de luz e sombra.

Imagem Paúba
Início do eclipse
Para a gravação deste programa, nos deslocamos para PAÚBA, litoral norte do estado de São Paulo, prontos para observar mais uma seqüência inédita dessa produção astronômica: um ECLIPSE TOTAL DA LUA.

Madrugada de segunda-feira, 29 de novembro de 1993, às 2 horas e 41 minutos... Lua cheia... o disco iluminado do nosso satélite começava a penetrar no cone de sombra provocado pela Terra, como anteparo da luz que vem do Sol.

Nos primeiros momentos, os contornos não eram perceptíveis porque a Lua ainda estava na área de penumbra do cone de sombra.

O período total do eclipse lunar é de mais de três horas . . . tempo suficiente pra gente entender um pouco mais sobre os eclipses e sobre a Lua.

A Lua gira em torno da Terra numa órbita elíptica inclinada cerca de 5 graus em relação à órbita da Terra. Portanto, a Lua cruza a órbita da Terra em dois momentos, dois pontos que são chamados NODOS.

O plano da órbita da Lua, além de acompanhar o movimento da Terra em torno do Sol, também gira em torno de um eixo perpendicular a um hipotético plano médio da órbita da Lua.

O resultado é um movimento complexo que torna raros alguns eclipses e mais encantadoras ainda as fases da Lua. Aliás, é importante destacar que fases da Lua e eclipses são coisas muito diferentes. As fases são resultado do ângulo de incidência da luz solar em relação ao sistema Terra / Lua; já os eclipses lunares ocorrem quando Terra, Lua e Sol estão alinhados; a Lua tem de estar cheia ou próxima disso, e estar passando por um dos NODOS.
Imagem do eclipse
Lua passando por um NODO

Quando todos esses fatores acontecem juntos, a Lua penetra completamente o cone de sombra projetado pela Terra. É O ECLIPSE TOTAL DA Lua, como o que a gente observou durante a gravação.

Imagem Eclipse
Não faz muito tempo, quando a Lua começava a "desaparecer", as pessoas eram capazes de atirar para o céu ou fazer barulhos com panelas e latas para espantar o dragão que vinha devorar a Lua. Os eclipses totais da Lua sempre foram motivo de medo.
A desinformação criou as associações. Os pescadores devolvem ao mar os peixes que capturam nessas noites pra se livrar da má sorte que eles carregariam.

E a tensão mística aumenta ainda mais quando a Lua fica vermelha durante o eclipse total. Antes que se explicasse o fenômeno racionalmente, os chineses viam lágrimas de sangue e os cabalistas falavam do "cio de LILITH", a Lua negra.

A Lua fica avermelhada porque a atmosfera da Terra funciona como uma lente, refratando a luz do Sol e projetando a componente vermelha dessa luz na Lua. A Lua, por sua vez, reflete essa coloração até nós. Esse efeito praticamente só acontece no eclipse total da Lua. Quando o eclipse é parcial, a Lua tem apenas uma parte de sua face aparente escondida pelo cone de sombra e quase não dá pra perceber o tom avermelhado.

Há um outro tipo de eclipse que a gente praticamente não vê. São os eclipses penumbrais, quando a Lua passa pela faixa menos escura de sombra que a Terra projeta. Mas, estivemos diante de um belo eclipse total, e a Lua querendo aparecer do outro lado da sombra.

Vendo o "renascimento" da Lua, alguém no interior do Brasil ainda poderia ter pensando que SÃO JORGE venceu o dragão... E a turma que estava atirando pede silêncio pra assistir ao final do espetáculo.

E quem também prestou muita atenção em eclipses foi o astrônomo grego HIPARCO de NICÉIA. Já no segundo século antes de Cristo, ele conhecia a geometria dos eclipses.

Medindo a duração do eclipse e com o emprego de relações matemáticas simples em triângulos semelhantes, HIPARCO pôde determinar as dimensões da Lua, o comprimento da órbita lunar e a distância Terra - Lua, tudo isso com valores razoavelmente próximos dos que usamos hoje em dia.
Agora o RAIO LASER garante a precisão. Os astronautas da APOLO XI deixaram na Lua um espelho que reflete precisamente o feixe de laser. Muito antes disso, com auxílio de outros métodos, já era possível medir a Lua. E aí vão as medidas da Lua:

- Distância média da Terra: 384.400 km de centro a centro.
- Diâmetro linear: 3.476 km.

Tudo isso girando em torno da Terra a uma velocidade média de 1 km por segundo. Já dá quase pra ver o disco completo do diâmetro aparente da Lua. Essa medida visual vai variando segundo a sua posição na órbita elíptica e também em função da sua posição em relação ao observador e o horizonte terrestre.

Quando a Lua reaparece, no interior começa a festa da Lua rediviva. Lua cheia é símbolo de fertilidade, momento de boas colheitas e marés altas. E, se não fosse o eclipse, os pescadores não reclamariam nem um pouco. É que dizem que nas noites de Lua cheia os peixes ficam mais dispostos a ser fisgados.

Lua cheia, maré alta. Lua minguante, maré baixa . . . essas associações entre as fases e as marés são muito antigas na história da humanidade. Mas, saber como isso acontece exatamente demorou um bocado.

Durante aproximadamente um dia, o nível das águas atinge por duas vezes uma altura máxima na preamar, e por outras duas vezes uma altura mínima na baixa-mar. Nas praias é comum a gente perceber o fluxo e o refluxo da maré.

A ação gravitacional da Lua é duas vezes e meia mais intensa que a do Sol porque, apesar de possuir massa muito menor, ela está muitíssimo mais próxima.
Imagem marés
Maré cheia

A parte fluída da Terra, os líquidos e os gases da atmosfera retratam muito mais intensamente essa ação gravitacional da Lua do que a parte sólida, e se deformam em sua direção. Isso ocorre principalmente quando a Lua está alinhada com o Sol, nas fases de Lua cheia ou nova, porque a ação gravitacional do Sol também atua e colabora na criação das chamadas MARÉS VIVAS.

Quando a Lua fica num ângulo de 90 graus em relação ao Sol e à Terra, ela tem menor colaboração do Sol e, portanto, a variação de altura das águas é muito menor. São as marés de quadratura ou MARÉS MORTAS, que coincidem com as fases CRESCENTE E MINGUANTE DA Lua. Além de tudo a Terra gira, e é por isso que o intervalo que separa duas marés altas é de aproximadamente 12 horas e 25 minutos.

Tudo o que se refere a marés tem seu grau de indeterminação, porque há muitos fatores influindo. Há, por exemplo, um certo atraso na periodicidade das marés, porque a massa de água dos oceanos tende a ficar onde está - é a chamada inércia, tão estudada nos cursos elementares de física. A massa fluída é puxada pela Lua, ao mesmo tempo em que é arrastada pela Terra. Aí interferem as irregularidades do solo oceânico próximo de onde se observam ou se medem as marés.

Imagem fim do eclipse
Fase final do eclipse
No final do eclipse que nós acompanhamos, o Sol já clareava o céu de fundo e, quando ele surgiu no horizonte leste, ficou fácil determinar o alinhamento da Lua cheia se pondo.
O que você vê na Lua?

Tem gente que vê São Jorge, seu cavalo e o dragão com fumacinha e tudo. Outros enxergam uma carinha simpática... e outros um coelhinho saltitante. Dizem que eu sou estraga-prazer... mas sinto muito... eu não vejo nada disso.

As manchas da Lua, que dão origem a essa criatividade toda, foram inicialmente identificadas como MARES quando Galileu começava a utilizar suas lunetas para olhar o céu.

Com o desenvolvimento dos instrumentos de observação, foi possível verificar que, na verdade, os mares lunares são grandes planícies do nosso satélite. A Lua tem montanhas com mais de 8 mil metros de altura e longas cordilheiras com picos entre 4 e 5 mil metros de altura. São quase duzentas mil crateras na superfície da Lua, das quais nós vemos pouco mais da metade. As crateras são vulcões extintos ou o resultado do impacto de meteoróides.

Os meteoróides - ou asteróides - podem cair diretamente na superfície da Lua, isso porque o nosso satélite natural não tem atmosfera.

No caso da Terra, ao tentar penetrar pela atmosfera, essas rochas acabam se fragmentando muitas vezes, dando origem a um fenômeno luminoso conhecido como ESTRELAS CADENTES. Na verdade, é o atrito desses fragmentos rochosos que dá origem àqueles riscos luminosos no céu. Quando os fragmentos são muito grandes, muito massivos, eles não se desgastam totalmente pelo atrito e acabam caindo na superfície. Na Lua eles caem direto.

Hoje, essas quedas não são muito freqüentes, mas houve períodos de grande freqüência de asteróides na região da Terra e da Lua, há milhões de anos. Daí vem a formação das milhares de crateras da Lua, além, é claro, da atividade vulcânica, que hoje está praticamente extinta.
A fase de Lua cheia não é exatamente a situação mais adequada para observar os detalhes da superfície da Lua.

Ao longo da fase minguante e também crescente, a luz do Sol vai tangenciando as montanhas e as crateras. Aí fica bem melhor a observação de detalhes da superfície lunar.

Ao contrário do que muita gente imagina, a Lua não é um espelho. Ela é constituída basicamente de matéria escura, e absorve mais de 90% da luz que recebe do Sol. É que a superfície da Lua é constituída basicamente de basaltos, que são geralmente escuros e absorvem bem a luz.

Sondas espaciais russas e americanas, assim como os astronautas das missões Apolo, coletaram rochas na superfície lunar. Algumas são rochas claras, cristais algumas vezes brancos, mas o aspecto predominante do nosso satélite natural é escuro.
Imagem superfície lunar
Superfície lunar


É que, na área da Lua que está recebendo a luz do Sol, a temperatura está próxima dos 150 graus acima de zero, e na área escura a temperatura chega a cerca de 150 graus negativos. Com toda essa variação, são poucas as rochas que resistem. O que sobra é uma fina poeira que recobre toda superfície do nosso satélite.

Lua Nova... essa é a melhor época, a melhor fase para observação dos outros astros, das estrelas, dos astros de menor brilho. Isso porque a luz da Lua não se difunde pela atmosfera.

Claro, vale a pena lembrar que há uma grande diferença entre a Lua nova e o eclipse da Lua.
Ela fica escura por causa do ângulo de incidência da luz do Sol em relação à Terra e à inclinação da órbita da Lua, e depende ainda da posição do observador na superfície terrestre.

É nos primeiros dias do crescente que ocorre o fenômeno da LUZ CINÉRIA, ou Luz Acinzentada. Mais uma vez, são as posições relativas que possibilitam a reflexão da parte da luz na atmosfera da Terra que incide na superfície não iluminada na Lua, e que chega até nós traçando esse filete que contorna o nosso satélite. Esse fenômeno persiste nos primeiros dias do crescente.

No crescente já tem gente com a tesoura afiada, pronta para cortar cabelos ou podar as árvores, porque dizem que a Lua nessa fase ajuda no crescimento. DIZEM . . . dizem mas não provam nada.
Nem as estatísticas nem a lógica científica podem comprovar as relações da Lua com ritmos biológicos.

As fases são efeitos da luz, e as possíveis influências da Lua na Terra têm a ver com a ação gravitacional.

As aproximações e distanciamentos da Lua acontecem independentemente das fases. E mesmo a atração gravitacional só pode ser percebida para grandes quantidades de matéria fluída, como os oceanos, ou mesmo a atmosfera. Dificilmente para indivíduos.

A maioria dessas relações é fruto do imaginário das diferentes culturas. Fruto da mesma fonte que alimentou os sonhos da viagem para além da Terra. Para a Lua, que é o objeto extraterrestre mais próximo da Terra. É bem provável que este sonho seja muito anterior, mas, no quinto século antes de Cristo, o filósofo grego FILOLAU registrou sua visão de uma Lua habitada por uma natureza exuberante. A "lógica" era óbvia. Se a Lua fosse desabitada, então teria sido criada em vão?

Pra ir até a Lua, as fantásticas expedições se utilizaram de navios que atravessavam as COLUNAS de HÉRCULES, ou imensas escadas e cordas para se pendurar nos cantos da Lua nova ou crescente. Mesmo depois de GALILEU e dos primeiros telescópios, a criatividade inventava Luas de queijo, selenitas de olhos enormes e tudo o mais. CYRANO DE BERGERAC, por volta de 1650, viajava à Lua por meio de garrafas cheias de vapores.

No século XIX, JULES VERNE antecipava os foguetes tripulados, com um canhão de 300 metros de comprimento e muita pólvora. Ele influenciou muitos dos cientistas que iniciaram a aventura espacial. Mas, quando a Guerra Fria encaminhou a corrida espacial para o campo da política, a presença do Homem na Lua provavelmente já não era tão importante do ponto de vista cientifico.

As sondas orbitais e as naves não tripuladas soviéticas já enviavam da Lua informações. Portanto, os astronautas já sabiam onde iam pisar quando chegaram lá.

Imagem Lua
O "renascimento" da Lua
Mas o mundo parou pra ver NEIL ARMSTRONG pisar pela primeira vez o solo de um corpo celeste fora da Terra, em 29/07/69.

E o sonho não acabou.

A Lua é só o princípio, o início de viagens mais ousadas. Pode ser um centro de pesquisa e produção de insumos industriais só possíveis em condições de baixa gravidade ou em função da ausência de atmosfera do nosso satélite Solitário.

Mas também a magia não acabou . . . a Lua continua sendo dos namorados, dos vampiros, dos sonhadores e, é claro, dos astrônomos.



ENSINAR E APRENDER

        1 - Atividade 
        voltada principalmente para alunos de 5a série no estudo de geografia 
        e na 1a série do 2° grau.

O professor pode pedir que os alunos acompanhem as fases da Lua usando informação de jornal ou de folhinhas. A partir do instante da fase NOVA , a Lua aparece no início da noite, logo após o pôr-do-Sol. No correr dos dias ela vai sendo observada surgindo cada vez mais "alta" no céu, cada vez mais distante do Sol. No dia em que a Lua atinge o quarto-crescente, ela forma um ângulo próximo de 90° com o Sol... ou seja, quando o Sol se põe, a Lua encontra-se perto da "metade" do céu. Na Lua cheia, o Sol estará se pondo e ela estará oposta ao Sol.

A intenção é observar a diferença entre fases da Lua, e o que acontece quando ocorre um eclipse.

        2 - O melhor 
        instrumento para auxiliar no entendimento dos movimentos relativos do 
        sistema Sol/Terra/Lua é um modelo. Para construção 
        de um modelo simples e de fácil manuseio pelos alunos, procure 
        informações em alguns dos livros indicados na bibliografia, 
        ou busque orientação com as Sociedades de Astronomia, nos 
        endereços indicados.