
Lua: da paixão
à conquista |
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Se é verdade
que a realidade só existe a partir do momento em que existe um
observador... se é verdade que somos parte dessa criação
e, portanto, também criadores - mesmo que seja ínfima a
nossa participação -, merece louvor o nosso bom gosto, o
apurado senso estético na produção desse belíssimo
sistema duplo Terra - Lua. O equilíbrio dinâmico das forças gravitacionais do planeta e seu satélite cria movimentos dignos dos efeitos especiais das melhores produções da cinematografia sideral. E o iluminador caprichou, posicionando o Sol como fonte de luz de maneira a propiciar maravilhosas combinações de cores e formas a partir dessas duas esferas reflexivas, com incríveis jogos de luz e sombra.
Nos primeiros momentos, os contornos não eram perceptíveis porque a Lua ainda estava na área de penumbra do cone de sombra. O período total do eclipse lunar é de mais de três horas . . . tempo suficiente pra gente entender um pouco mais sobre os eclipses e sobre a Lua. A Lua gira em torno da Terra numa órbita elíptica inclinada cerca de 5 graus em relação à órbita da Terra. Portanto, a Lua cruza a órbita da Terra em dois momentos, dois pontos que são chamados NODOS. O plano da órbita da Lua, além de acompanhar o movimento da Terra em torno do Sol, também gira em torno de um eixo perpendicular a um hipotético plano médio da órbita da Lua.
Quando todos esses fatores acontecem juntos, a Lua penetra completamente o cone de sombra projetado pela Terra. É O ECLIPSE TOTAL DA Lua, como o que a gente observou durante a gravação.
E a tensão mística aumenta ainda mais quando a Lua fica vermelha durante o eclipse total. Antes que se explicasse o fenômeno racionalmente, os chineses viam lágrimas de sangue e os cabalistas falavam do "cio de LILITH", a Lua negra. A Lua fica avermelhada porque a atmosfera da Terra funciona como uma lente, refratando a luz do Sol e projetando a componente vermelha dessa luz na Lua. A Lua, por sua vez, reflete essa coloração até nós. Esse efeito praticamente só acontece no eclipse total da Lua. Quando o eclipse é parcial, a Lua tem apenas uma parte de sua face aparente escondida pelo cone de sombra e quase não dá pra perceber o tom avermelhado. Há um outro tipo de eclipse que a gente praticamente não vê. São os eclipses penumbrais, quando a Lua passa pela faixa menos escura de sombra que a Terra projeta. Mas, estivemos diante de um belo eclipse total, e a Lua querendo aparecer do outro lado da sombra. Vendo o "renascimento" da Lua, alguém no interior do Brasil ainda poderia ter pensando que SÃO JORGE venceu o dragão... E a turma que estava atirando pede silêncio pra assistir ao final do espetáculo. E quem também prestou muita atenção em eclipses foi o astrônomo grego HIPARCO de NICÉIA. Já no segundo século antes de Cristo, ele conhecia a geometria dos eclipses. Medindo a duração do eclipse e com o emprego de relações matemáticas simples em triângulos semelhantes, HIPARCO pôde determinar as dimensões da Lua, o comprimento da órbita lunar e a distância Terra - Lua, tudo isso com valores razoavelmente próximos dos que usamos hoje em dia. Agora o RAIO LASER garante a precisão. Os astronautas da APOLO XI deixaram na Lua um espelho que reflete precisamente o feixe de laser. Muito antes disso, com auxílio de outros métodos, já era possível medir a Lua. E aí vão as medidas da Lua: - Distância
média da Terra: 384.400 km de centro a centro. Quando a Lua reaparece, no interior começa a festa da Lua rediviva. Lua cheia é símbolo de fertilidade, momento de boas colheitas e marés altas. E, se não fosse o eclipse, os pescadores não reclamariam nem um pouco. É que dizem que nas noites de Lua cheia os peixes ficam mais dispostos a ser fisgados. Lua cheia, maré alta. Lua minguante, maré baixa . . . essas associações entre as fases e as marés são muito antigas na história da humanidade. Mas, saber como isso acontece exatamente demorou um bocado.
A parte fluída da Terra, os líquidos e os gases da atmosfera retratam muito mais intensamente essa ação gravitacional da Lua do que a parte sólida, e se deformam em sua direção. Isso ocorre principalmente quando a Lua está alinhada com o Sol, nas fases de Lua cheia ou nova, porque a ação gravitacional do Sol também atua e colabora na criação das chamadas MARÉS VIVAS. Quando a Lua fica num ângulo de 90 graus em relação ao Sol e à Terra, ela tem menor colaboração do Sol e, portanto, a variação de altura das águas é muito menor. São as marés de quadratura ou MARÉS MORTAS, que coincidem com as fases CRESCENTE E MINGUANTE DA Lua. Além de tudo a Terra gira, e é por isso que o intervalo que separa duas marés altas é de aproximadamente 12 horas e 25 minutos. Tudo o que se refere a marés tem seu grau de indeterminação, porque há muitos fatores influindo. Há, por exemplo, um certo atraso na periodicidade das marés, porque a massa de água dos oceanos tende a ficar onde está - é a chamada inércia, tão estudada nos cursos elementares de física. A massa fluída é puxada pela Lua, ao mesmo tempo em que é arrastada pela Terra. Aí interferem as irregularidades do solo oceânico próximo de onde se observam ou se medem as marés.
As manchas da Lua, que dão origem a essa criatividade toda, foram inicialmente identificadas como MARES quando Galileu começava a utilizar suas lunetas para olhar o céu. Com o desenvolvimento dos instrumentos de observação, foi possível verificar que, na verdade, os mares lunares são grandes planícies do nosso satélite. A Lua tem montanhas com mais de 8 mil metros de altura e longas cordilheiras com picos entre 4 e 5 mil metros de altura. São quase duzentas mil crateras na superfície da Lua, das quais nós vemos pouco mais da metade. As crateras são vulcões extintos ou o resultado do impacto de meteoróides. Os meteoróides - ou asteróides - podem cair diretamente na superfície da Lua, isso porque o nosso satélite natural não tem atmosfera. No caso da Terra, ao tentar penetrar pela atmosfera, essas rochas acabam se fragmentando muitas vezes, dando origem a um fenômeno luminoso conhecido como ESTRELAS CADENTES. Na verdade, é o atrito desses fragmentos rochosos que dá origem àqueles riscos luminosos no céu. Quando os fragmentos são muito grandes, muito massivos, eles não se desgastam totalmente pelo atrito e acabam caindo na superfície. Na Lua eles caem direto. Hoje, essas quedas não são muito freqüentes, mas houve períodos de grande freqüência de asteróides na região da Terra e da Lua, há milhões de anos. Daí vem a formação das milhares de crateras da Lua, além, é claro, da atividade vulcânica, que hoje está praticamente extinta. A fase de Lua cheia não é exatamente a situação mais adequada para observar os detalhes da superfície da Lua. Ao longo da fase minguante e também crescente, a luz do Sol vai tangenciando as montanhas e as crateras. Aí fica bem melhor a observação de detalhes da superfície lunar.
No século
XIX, JULES VERNE antecipava os foguetes tripulados, com um canhão
de 300 metros de comprimento e muita pólvora. Ele influenciou
muitos dos cientistas que iniciaram a aventura espacial. Mas, quando
a Guerra Fria encaminhou a corrida espacial para o campo da política,
a presença do Homem na Lua provavelmente já não
era tão importante do ponto de vista cientifico.
Mas também a magia não acabou . . . a Lua continua sendo dos namorados, dos vampiros, dos sonhadores e, é claro, dos astrônomos. ENSINAR
E APRENDER
1 - Atividade
voltada principalmente para alunos de 5a série no estudo de geografia
e na 1a série do 2° grau.
O professor pode pedir que os alunos acompanhem as fases da Lua usando informação de jornal ou de folhinhas. A partir do instante da fase NOVA , a Lua aparece no início da noite, logo após o pôr-do-Sol. No correr dos dias ela vai sendo observada surgindo cada vez mais "alta" no céu, cada vez mais distante do Sol. No dia em que a Lua atinge o quarto-crescente, ela forma um ângulo próximo de 90° com o Sol... ou seja, quando o Sol se põe, a Lua encontra-se perto da "metade" do céu. Na Lua cheia, o Sol estará se pondo e ela estará oposta ao Sol. A intenção é observar a diferença entre fases da Lua, e o que acontece quando ocorre um eclipse. 2 - O melhor instrumento para auxiliar no entendimento dos movimentos relativos do sistema Sol/Terra/Lua é um modelo. Para construção de um modelo simples e de fácil manuseio pelos alunos, procure informações em alguns dos livros indicados na bibliografia, ou busque orientação com as Sociedades de Astronomia, nos endereços indicados. |