
Somos Pequenos no
Universo? |
A intuição limpa de preconceitos nos faz sentir como parte de algo infinito e que essa infinitude está dentro de nós. Mas a razão é densa e lenta e precisa dar seus passos um de cada vez. Por muito tempo pensamos que estivéssemos no centro do universo. Tudo girava à nossa volta como se fosse para não escapar ao nosso controle. As estrelas eram brilhantes encravados num globo preso à Terra por linhas invisíveis, e o Sol nosso escravo fornecedor de luz e calor. Foi muito difícil pra nós aceitarmos que a Terra é apenas mais um planeta girando em torno de uma estrela. Ainda hoje não é fácil compreender que somos companheiros de Sol numa galáxia com mais de cem bilhões de estrelas, e, ainda, que a Via Láctea é apenas mais uma das dezenas de milhares de galáxias que já foram observadas e devidamente catalogadas. Dizer, por exemplo, que a luz atravessa o maior diâmetro da nossa galáxia em cerca de 100.000 anos, pode representar algo muito difícil de entender, mas é nessa ordem de grandeza de tempo e distância que surgiu e se desenvolveu a espécie da qual fazemos parte: o Homo Sapiens. Nós começamos a encontrar respostas engatinhando, caminhando sobre o planeta, marcando no chão as primeiras unidades de medida. Dos pés aos passos, das braças às jardas, das polegadas aos metros, as unidades de medidas foram se transformando, sempre se adequando às necessidades. Por exemplo, não estaria incorreto se, para medir a altura de uma trave de um gol, uma pessoa usasse quilômetros . . . ou, pra se referir ao comprimento de um campo de futebol, a pessoa pensasse em centímetros. Errado não está, mas pode não ser adequado. Imagine um gol medindo 0,00244 quilômetros de altura?! Não está errado, mas é muito mais compreensível 2 metros e 44 centímetros. Bom . . . mas o que o futebol tem a ver com a astronomia? Em astronomia também temos de empregar unidades de medidas adequadas às dimensões a serem avaliadas. Por isso mesmo o quilômetro torna-se muito pequeno quando comparado com as distâncias que pretendemos representar. O metro, que é unidade padrão no sistema internacional de medidas, é insignificante se comparado com as dimensões "ASTRONÔMICAS" do universo. Pra gente entender as unidades da astronomia, a gente pode começar com as DIMENSÕES DO SISTEMA SOLAR. Até para facilitar as relações dentro do sistema, o padrão adotado foi a distância média entre a Terra e o Sol. São aproximadamente 150.000.000 de quilômetros, que passaram a ser considerados como UNIDADE ASTRONÔMICA. Com esse novo "metro", o raio médio do sistema solar passa a ser de 40 UNIDADES ASTRONÔMICAS, aproximadamente . Pra gente sentir como essa adequação de medidas facilita o entendimento das grandes dimensões em astronomia, vamos imaginar uma UNIDADE ASTRONÔMICA equivalendo a um metro. Assim, todo o sistema solar cabe num campo de futebol como o do estádio do MORUMBI em São Paulo, onde realizamos as gravações desta parte do programa.
Atividades como
essas podem ser feitas em qualquer lugar, desde que você tenha
espaço. Assim, a localização dos planetas, as proporções
ficam bem evidentes. Trabalhando esse exercício com grupos de
estudantes é possível entender as referências usadas
em nosso posicionamento no sistema solar e utilizar a pratica com mudanças
de escalas para comparar as dimensões dos planetas e do Sol.
O Sol e mais de 100 bilhões de estrelas integram a VIA LÁCTEA. Daqui da Terra nós vemos uma parte da galáxia, que é aquela faixa de aspecto leitoso visível nas noites limpas. A extensão maior da galáxia tem cerca de 100.000 anos-luz; nós estamos a quase meio caminho do centro - nosso sistema solar pode ser representado como um pontinho num dos braços da espiral, a cerca de 30.000 anos-luz do centro da galáxia. A extensão menor da nossa galáxia é de aproximadamente 10.000 anos-luz e é no plano médio da galáxia que se concentra a maior parte de sua massa, onde também nós estamos. Além das estrelas e planetas, uma boa parte da massa da galáxia está concentrada na forma de gás interstelar. Existem milhares de galáxias espirais como a nossa; outras tantas são elípticas e outras, irregulares. É uma classificação de formas, feita há muito tempo pelo astrônomo EDWIN HUBBLE.
Se já diante dos fenômenos da natureza próxima de nós, como os oceanos e as montanhas, a gente perde o fôlego, é bom aproveitar essa energia para reciclar a cabeça e se preparar para a rapidez dos tempos. Nos canions, nas cavernas, o tempo deixou suas marcas escavando a superfície do planeta. Foram séculos para ultrapassar cada uma das camadas, para a evolução de cada uma das espécies que habitaram e habitam a Terra. Séculos para que o homem descobrisse uma maneira de marcar o tempo. E aí começou uma relação natural dos registros do tempo e a ASTRONOMIA. Uma das primeiras referências foi o Sol. As primeiras notícias falam de relógios de Sol entre os egípcios e mesopotâmicos no ano 3.000 antes de Cristo, aproximadamente; esses relo&cute;gios permaneceram em uso por muitos séculos. Os primeiros relógios mecânicos só surgiram no século XIV e, mesmo assim, eles eram "acertados" a partir dos relógios solares. Talvez tenha sido observando o lago formado por uma cachoeira, ou o degelo de uma montanha, que um inventor da antigüidade teve a idéia de usar a água para marcar o tempo. Foi assim que surgiram as CLEPSIDRAS, ou relógios de água. As clepsidras são instrumentos simples que relacionam a passagem do tempo com o fluxo da água. Mas elas servem apenas para medir intervalos curtos de tempo; para o correr de um dia precisaríamos de clepsidras imensas, ou de alguém que se dispusesse a preencher o recipiente a cada intervalo. Talvez tenha sido por isso que as clepsidras não se difundiram tanto. Com o mesmo princípio foram construídas as AMPULHETAS, e quase pelas mesmas razões elas não se popularizaram tanto quanto o relógio de Sol. Há muitos tipos de relógio do Sol. Geralmente são identificados de acordo com as posições de seus mostradores e assim são chamados: Relógios HORIZONTAIS, como o que improvisamos no fundo do CANION de ITAPEVA, no estado de SÃO PAULO, onde gravamos esta parte do programa; EQUATORIAIS, como o que pode ser visto numa visita ao IAG em São Paulo.
O movimento cíclico
das estrelas também funciona como referência de tempo.
O movimento diurno da esfera celeste aparente em torno da Terra define
o TEMPO SIDERAL. O DIA SIDERAL consiste no intervalo entre duas passagens
de uma estrela pelo meridiano local. A sua duração é
convencionada como 24 horas siderais que equivalem a 23 horas, 56 minutos
e 4 segundos solares. Mais uma vez, infelizmente, a natureza cria irregularidades
em relação a nossos padrões. Os astrônomos
construíram lunetas específicas para fazer observação
das estrelas nas suas passagens pelo meridiano celeste local. Um instrumento
como este serviu por muito tempo para a referência da hora oficial
do Brasil, no OBSERVATÓRIO NACIONAL no Rio de Janeiro, onde gravamos
esta seqüência do programa. Hoje é bem diferente.
Desde a década de 70 que o OBSERVATÓRIO NACIONAL implantou
uma nova tecnologia para a medida da hora legal brasileira. Aliás,
foi a partir da década de 50 que os relógios astronômicos
passaram a ser substituídos por equipamentos mais precisos, segundo
os conceitos da física clássica. São os RELÓGIOS
ATÔMICOS, que definem o SEGUNDO INTERNACIONAL.
O tempo e a distância são dimensões indissolúveis pra quem investiga as macroestruturas do universo, e para os que mergulham na intimidade micro das partículas. Galáxias e partículas subatômicas. O infinito do universo e o instante da concepção. SOMOS PEQUENOS NO universo? Continuamos voando em perguntas e caminhando atrás das respostas. OLHAR PARA O CÉU pode ser um bom caminho. ENSINAR
E APRENDER
1 - Bem... este
programa foi bolado exatamente a partir de uma atividade com alunos: a
montagem de um SISTEMA SOLAR EM ESCALA. As discussões que aparecem
durante as praticas vão desde exploração espacial
até vida no universo. Há muita informação
disponível nas enciclopédias, na própria Internet
e, é claro, nos nossos outros programas. Só o exercício
de mudança de escalas e de unidades de medidas já faz a
cabeça do pessoal "decolar".
2 - Uma visita a uma caverna ou a um costão rochoso à beira-mar pode abrir uma conversa riquíssima sobre o tempo e suas marcas sobre a Terra e sobre o homem. Daí para a construção de um relógio de Sol, vai ser uma seqüência natural. (As dicas para as escalas e o posicionamento podem ser obtidas nas associações astronômicas. Existem agências especializadas em viagens de "estudo do meio"). |