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LOGO A Vida no Universo

VOCÊ JÁ VIU UM OVNI ???

Eu? ...Eu não ! E você ? Seria muito curioso... Mas será que é isso o que interessa?


Imagem cúpula
Observatório do IAG (USP)
São centenas de fotografias e depoimentos acompanhados de fantasias e teorias que tentam comprovar que nós não somos solitários no universo.

O fato é que quem trabalha com astronomia acaba tendo de responder muitas vezes à curiosidade sobre extraterrestres, discos voadores etc.

É que a maioria pensa que os astrônomos ficam o tempo todo olhando para o céu. Mas, não é bem assim. O olhar do astrônomo está treinado para observar através de lunetas ou telescópios muito sofisticados. As estrelas são estudadas por chapas fotográficas e, mais atualmente, nas telas dos computadores.

Hoje, a astrofísica se faz muito mais em salas equipadas com poderosas estações de computação e as imagens são obtidas por instrumentos que olham para pedacinhos mínimos do céu... Coisa de milésimos de segundo de arco. Portanto, os astrônomos não são as pessoas mais credenciadas para testemunhar a presença de possíveis naves alienígenas.

Há, evidentemente, um grande interesse científico pela investigação das possibilidades de vida no universo. Os softwares usados na astrofísica, por exemplo, adotam padrões de cor para localizar nas estrelas elementos químicos como a água , carbono, cálcio etc... que fazem parte da única forma de vida que conhecemos... a nossa!

O QUE É VIDA ???

Não existe uma definição universal do que seja vida. As estrelas são verdadeiras usinas transformadoras da matéria, dando origem a uma infinidade de elementos e combinações de partículas e energia.

Aqui na Terra, essas combinações resultaram na imensa variedade de formas de vida com a qual nos relacionamos. A vida na Terra se dá num equilíbrio instável entre as diferentes formas de captação e consumo de energia. Os seres vivos de grande complexidade dependem de estruturas elementares que variam de organismo para organismo, podendo até sozinhas representar um ser vivo.

Essas relações de troca entre os seres vivos só puderam ser estudadas com o invento e a utilização de microscópios. E, não por coincidência, os microscópios são contemporâneos das lunetas... Eles surgiram no século XVI, que marca a "conquista" do macrocosmo e do microcosmo.

As estruturas elementares da vida dependem de reações químicas que envolvem os mesmos átomos que foram sintetizados nos processos de nucleossíntese que ocorrem nos interiores estelares. Ou seja, a vida, como nós a conhecemos, não só depende da energia das estrelas como só pode se originar enquanto resultado da evolução estelar.

SOMOS FILHOS DAS ESTRELAS!

Parece poesia, mas é uma afirmação verdadeira que pode ser generalizada para:
"a vida contém e é contida pelas estrelas".

Esse pode ser um forte argumento favorável à existência de vida em outros lugares do universo.

"VOCÊ JÁ VIU UM ET ?"

Eu não vi !

E também não houve um contato claro, aberto a todos, com outra forma de vida, para que a comunidade científica pudesse reavaliar seus conceitos sobre a vida.

Por enquanto, continuamos trabalhando com o que temos, e sobre o que ainda temos muito o que aprender.

Aqui na Terra os seres vivos crescem e se mantêm segundo seus metabolismos baseados em estruturas construídas a partir dos átomos de carbono associados ao nitrogênio, oxigênio e hidrogênio, principalmente.
Imagem ET
ET

Os seres vivos, como nós os conhecemos, devem poder se reproduzir e passar aos seus descendentes suas características . Isto se dá através de um código que também deve ser capaz de transmitir as mutações que os organismos vivos sofrem para se adaptar às condições do meio ambiente. Essa evolução biológica foi e continua sendo a chave para a permanência da vida, por exemplo aqui na Terra.

Esses critérios se referem às condições atuais da vida na Terra. Se quisermos avaliar as hipóteses de vida no universo, temos de pensar nas condições em que ela surgiu aqui na Terra. Como seria a Terra quando a vida começou ?

Enquanto a Terra e o homem estavam no centro do universo, as coisas eram mais simples. Em seis dias estava tudo resolvido, e dava até pra descansar sem problemas. Mas, quando a curiosidade e a investigação conseguiram se livrar das fogueiras e as luzes das estrelas puderam penetrar nos telescópios e espectroscópios, eles apontaram para uma "criação" muito mais complexa e cheia de surpresas...

A vida na Terra só deve ter sido possível depois de 4 milhões de anos de sua formação, quando as coisas já estavam mais calmas nessa região do sistema solar. E de lá até aqui já se vão mais de... anos.

Imagem atmosfera primitiva
Atmosfera primitiva
O que se supõe é que, naqueles tempos, havia uma grande incidência de descargas elétricas, em função até da composição da atmosfera, que se estima fosse uma mistura de metano, hidrogênio e amônia, com vapor de água em equilíbrio com água líquida em ebulição.

Reproduzindo em laboratório uma situação como esta, e ainda fazendo essa mistura passar por uma câmara de resfriamento para simular um "oceano primitivo", após uma semana contínua de experimento rigorosamente controlado... "Záass" !

A análise da água desse "oceano primitivo" detectou a presença de aldeídos e ácidos orgânicos simples, como ácido lático, por exemplo.

Já seria um começo, uma prova experimental da síntese de compostos orgânicos sem a ação de organismos vivos. É claro que esse é só um experimento realizado para testar uma teoria e, portanto, não esgota o assunto. Mas é a idéia mais aceita atualmente, e a que está sendo adotada como um dos padrões para a pesquisa sobre vida extraterrestre.

Há outras teorias sobre a origem da vida na Terra que também podem ser aplicadas para outros lugares no universo. Segundo uma dessas idéias, a vida teria aparecido na Terra através de substâncias vivas originadas fora da Terra.

Essas substâncias teriam sido trazidas ao nosso planeta através de radiações cósmicas, ou pegando uma "carona" em meteoróides, asteróides ou cometas, que teriam se chocado com a Terra. Inicialmente isso pode parecer exótico demais, e nos colocaria na condição de descendentes de vida extraterrestre. Mas, análises recentes de meteoritos e observações da radioastronomia comprovaram a presença de moléculas interestelares. Um cometa ou qualquer corpo caído na Terra há milhões de anos pode ter sido o responsável pela existência de vida por aqui.


"OS DISCOS VOADORES EXISTEM ?"


Eu não sei ! Ainda não vi nenhum...

E será que é isso o que importa?

Essas teorias de que nós estávamos falando se referem a microestruturas, sugerem hipóteses para o surgimento da vida... Daí a considerarmos a existência de vida inteligente, e ainda por cima capaz de criar naves equipadas para viajar milhares de anos-luz para chegar até nós, vai uma grande distância.
Imagem ET
ET

Não que isso não seja possível, e que os milhares de contatos de primeiro, segundo, terceiro e quarto graus não tenham sido vivências fascinantes. Mas o fato é que esse tem sido um terreno fértil para as especulações de má fé, que se aproveitam da polêmica para promover a confusão, aumentando a incerteza daqueles que, como qualquer um de nós, gostaria de responder a uma elementar e magnífica pergunta: estamos sós ?

A ficção usou e abusou da imagem desde o início da Guerra Fria, criando paralelos entre o alienígena destruidor e dominador com a invasão de ideologias indesejáveis ao mundo ocidental, até a mistificação de monstros do inconsciente. Essa etapa felizmente parece ter sido superada. SPIELBERG deu a todos um ET que revive flores e controla a gravidade, ao menos no caso das bicicletas. Pelo menos ele não é um daqueles marcianos verdinhos que invadiam cidades, ou um dos monstros venusianos que raptavam donzelas.

MARTE pareceu por muito tempo o candidato mais provável a abrigar vida no sistema solar. E o curioso é que tudo começou com um erro de tradução.

O astrônomo que observou pela primeira vez as rugosidades de Marte era um italiano, que as definiu como "canale" em italiano. Na tradução as rugas se transformaram em canais, e aí a imaginação voou.

Já apareceram marcianos construindo aquedutos e reservatórios para um sistema de irrigação planetário. É verdade que Marte possui calotas polares, só que com gelo de CO² e uma pequena parte de gelo de água. As diferenças de temperatura em Marte são bem altas e esse gelo praticamente não se liquefaz, passando diretamente para o estado gasoso. Portanto, não há o que "correr" por esses supostos canais.

Essa celeuma toda em torno dos canais e da água em Marte ocorre porque a água, ou algum solvente de outra espécie, é considerada condição necessária para a vida, segundo ainda os nossos padrões.

Várias sondas fotografaram Marte e não encontraram sinais de vida. As VIKING 1 e 2 pousaram no planeta em 1976 e os testes não identificaram formas vivas nem na atmosfera, nem em amostras do solo. Mas as pesquisas continuam porque, entre outras coisas, Marte faz parte de uma região do sistema solar conhecida como ECOSFERA ou zona biotermal, onde as temperaturas e a distância do Sol podem ser consideradas apropriadas para o desenvolvimento da vida.

Essa região compreende as órbitas de MARTE, a Terra, é claro, e a órbita de VÊNUS.

Temos aqui um outro alvo constante da ficção. VÊNUS, além de ter dimensões próximas às da Terra, tem uma atmosfera que resulta azul nas fotos de sondas e telescópios. Mas é exatamente aí que reside um dos fatores que dificultam a presença de vida por lá.

A atmosfera de Vênus é muito mais densa do que a nossa, e constituída basicamente de CO². Ela permite a passagem das radiações infravermelhas, mas reflete o calor emitido do planeta. Isso eleva a temperatura na superfície a mais de 400 graus. Assim não há vida "que agüente". Várias sondas já passaram por VÊNUS e pousaram no planeta, e não mandaram nenhum registro de vida que suportasse esse calor todo.

Daria pra pensar também na dificuldade dos animais venusianos para respirar o chamado gás carbônico de sua atmosfera. Mas isso não seria impedimento para alguns organismos que até dispensam a atmosfera para viver.

MERCÚRIO já tem uma atmosfera muito tênue, que praticamente não filtra as radiações do Sol que em muitos casos são nocivas à vida. Além do mais, ele está muito próximo da nossa fonte de energia e sua temperatura atinge níveis insuportáveis para a vida como nós podemos investigar.

Pensar na vida em planetas gasosos como JÚPITER, SATURNO e NETUNO já fica bastante complicado. Tanto pela ausência de uma superfície definida, como pela instabilidade de suas condições internas. Além do mais, eles estão muito longe do Sol, convivendo com temperaturas muito abaixo dos padrões para a vida.

Há ainda algumas hipóteses para a presença de alguma forma de vida em TITAN, satélite de SATURNO, o único do sistema solar que tem atmosfera. Mas, as condições de temperatura por lá não são nada propícias.

PLUTÃO é praticamente um satélite... Definitivamente, os candidatos para abrigar vida no sistema solar são os planetas da ecosfera. E nos outros sistemas planetários ?

As dúvidas são muitas, a começar pelo fato de que somente agora começamos a detectar de maneira precária a presença de planetas gravitando em torno de outras estrelas. É que os planetas são muito pequenos em relação às estrelas. Por exemplo, se JÚPITER - o maior planeta do nosso sistema - estivesse girando em torno de ALFA DO CENTAURO, que é o agrupamento estelar mais próximo de nós, ele seria praticamente invisível mesmo para os mais potentes telescópios.

Por enquanto, as suposições ficam ainda por conta da matemática.

São cerca de 100 bilhões de estrelas só na nossa galáxia. Dez por cento delas são parecidas com o Sol, o que resulta na estimativa de 10 bilhões de sistemas planetários. Se um em dez possuir planetas com suportes de vida razoáveis, assumindo que a vida neles possa persistir por milhões de anos, como é o caso da vida na Terra, teremos milhões de planetas com vida na nossa galáxia nesse momento. Mesmo com perspectivas pessimistas, somos obrigados a acreditar que a vida é um fenômeno comum na galáxia, e possivelmente no universo.

Essas estimativas matemáticas estão se referindo a qualquer tipo de organismos vivos, desde microorganismos até a vida inteligente. Para avaliar as hipóteses de vida inteligente os critérios são ainda mais subjetivos, até porque há muitas incertezas sobre o processo de estabelecimento da vida inteligente aqui na Terra.

A busca por vida inteligente envolve todas essas questões anteriores e mais a possibilidade do desenvolvimento de um sistema de comunicação que, no mínimo, tenha alcançado o mesmo grau que o nosso. Isso estimando que o caminho tecnológico escolhido por outras formas de vida inteligente tenha sido parecido com o nosso.

Voltando às estatísticas, os cálculos mais otimistas chegam a um valor aproximado de 125 000 civilizações em condições de comunicabilidade na nossa galáxia. O número parece animador, mas há críticos veementes de ambos os lados. Não há outra saída se não investigar, e as distâncias interestelares são imensas. Os projetos nessa área buscaram a maneira mais rápida de transmitir informações que nós conhecemos, as ondas de rádio.

Mesmo assim, há de ter bastante paciência. Imaginando ainda um possível planeta em torno de ALFA DO CENTAURO, uma onda de rádio emitida a partir da Terra, à velocidade da luz, levaria quatro anos e pouco pra chegar até lá. Ao receber a mensagem emitida e compreender o seu significado, uma suposta civilização poderia enviar uma resposta. Digamos que não fossem "burocráticos" e entendessem a emergência da busca por vida no universo. De qualquer modo a resposta demoraria outros tantos quatro anos e pouco para chegar até nós. Ou seja, os projetos de comunicação extraterrena exigem muita dedicação e infra-estrutura.

O pior é que há previsões pessimistas que falam de civilizações em estágio de comunicabilidade num raio de 1000 anos-luz. Como as viagens espaciais a distâncias dessa ordem ainda permanecem no terreno dos planos, o jeito é tentar as ondas de rádio.

Imagem radiotelescópio É o que se tem feito desde os fins da década de 50 com vários projetos, entre os quais talvez o mais completo seja o META, iniciado em 1985 e que conta com a colaboração da NASA e de outras instituições de pesquisa, inclusive com um radiotelescópio de 30m instalado em LA PLATA, ARGENTINA, para cobrir o céu do hemisfério sul.

E como não se pode perder oportunidades, as sondas espaciais que abandonam o sistema solar levam consigo imagens e sons da Terra, com indicações da origem e dos criadores dessas máquinas.

Muitos temem a possibilidade real de comunicação entre nós e outras civilizações inteligentes. É realmente difícil avaliar o que poderia acontecer, e a ficção é que está mais à vontade para desenvolver o tema.

As conseqüências são imprevisíveis, e o fantasma da invasão continua rondando a paranóia dos que ampliam seus limites invadindo territórios.

Particularmente o assunto me deixa com vontade de pagar pra ver.
Imagem ET
ET

Virá um "ditador sideral" para esmigalhar nossa cultura? Seremos como índios do "velho" novo mundo, subjugados pelos seres de tecnologia superior ? Ou seremos dignamente tratados... Como não tratamos nossas culturas menos tecnológicas?

Para passarmos a ser tratados como membros da galáxia, precisamos respeitar todas essas culturas. E, na procura dos que estão pelo espaço, talvez nos encontremos. A resposta está em ver, escutar o espaço e sobretudo a nós mesmos.


ENSINAR E APRENDER

1 - Esse programa pode ser o início de uma discussão estimulante e atual que envolve a vida no universo, na sua expressão mais ampla. Complementando atividades desenvolvidas em programas anteriores - sistema solar, evolução estelar etc - esse capítulo sugere uma atividade recomendada para as turmas de 2° grau, que emprega, de um lado, conhecimentos das áreas de Ciências (Física / Química / Biologia) que podem apontar os caminhos do desenvolvimento da vida, e de outro, das áreas de Humanidades (História / Geografia / Filosofia) que podem encaminhar a discussão para os impactos que as novas descobertas nessa área possam causar na nossa concepção do Cosmo.