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LOGO Os Caminhos da Luz

Quais os caminhos da luz?
Pra definir bem uma imagem na TV, a câmera de televisão precisa de uma certa quantidade de luz.

A câmera funciona mais ou menos como nosso olho. Conforme vai aumentando a intensidade da luz branca, a gente passa a enxergar outras coisas e deixa de ver, por exemplo, fontes mais fracas de luz, como lâmpadas vermelhas.

Assim acontece com firmamento noturno ao amanhecer. Vênus é um bom exemplo.

Imagem Vênus
Vênus ao entardecer
Vênus é observado no céu sempre próximo do ocaso ou do nascer do Sol. Quando a luz solar se espalha pela atmosfera da Terra no amanhecer, a estrela DALVA, como Vênus é chamado, deixa de ser visível.

A luz é o grande código da astronomia. A sua intensidade, a sua coloração, as suas freqüências criam os parâmetros para o estudo dos astros e sua evolução no céu visível e invisível. É... você entendeu certo.

        LUZ INVISÍVEL 
        E LUZ VISÍVEL.  
A luz é muito mais do que os nossos olhos podem ver. E nem tudo o que os nossos olhos vêem é exatamente como a gente vê.

Um pôr-do-Sol, um amanhecer no campo... há sempre algo mágico nos limites entre os dias e as noites. Um espetáculo que as pessoas gostam de ver ao redor de todo o mundo, mas que pouca gente sabe que é um fenômeno astronômico. No momento em que vemos o astro rei tocando a linha do horizonte, o Sol já não está mais ali, ele já se pôs. Mas é fácil de entender.

A luz que vem do Sol muda a sua direção quando penetra na atmosfera da Terra. Quando nós olhamos para o Sol, estamos vendo sua imagem e não mais o objeto propriamente dito. Mas isso não diminui a beleza do fenômeno... pelo contrário, estimula o Homem a conhecê-lo mais profundamente, a se enquadrar à superfície do planeta e também a conhecer melhor o universo que o cerca. Esse desvio que a atmosfera realiza na imagem do Sol é resultado da REFRAÇÃO. Os raios de luz mudam sua trajetória ao atravessar substâncias diferentes.

A cultura indígena parece incluir noções de REFRAÇÃO, porque ensina seus pescadores a atirar no "ESPÍRITO DO PEIXE" e não na imagem aparente desviada pelas águas transparentes dos rios limpos desse país. A luz pode nos ensinar muito sobre as coisas que ilumina. Cada tipo de matéria emite, absorve ou reflete a luz de maneira própria. As fontes de luz também têm, cada uma, sua identidade.

Com um kit de óptica é possível estudar os fenômenos da REFRAÇÃO, da REFLEXÃO e o comportamento da luz ao transpor meios translúcidos diferentes, e assim esclarecer o conhecimento intuitivo do índio. O peixe não está exatamente onde nós o vemos. Ele está em outro lugar porque os raios de luz passam por um meio diferente e deslocam sua posição relativa.
Imagem Kit
Kit de óptica

As lentes funcionam basicamente desse jeito e há dois tipos básicos de lentes:

- As lentes DIVERGENTES, onde os raios de luz chegam paralelos e divergem, vão embora para o infinito.
- As lentes CONVERGENTES, onde os raios de luz chegam paralelos e convergem para um ponto único, que é o foco.

O olho humano tem uma lente conhecida como CRISTALINO, que é uma lente CONVERGENTE.

Todos os objetos emitem ou refletem luz que passa através da córnea e pupila; essa última regula a passagem da luz se abrindo ou se fechando. Depois disso, o feixe luminoso passa pelo cristalino, que converge os raios de luz para formar a imagem no ponto focal do olho humano. Mas os caminhos da luz já tiveram interpretações as mais curiosas.

Platão, o grande pensador grego, imaginava, no século V antes de Cristo, que o olhar funcionasse como "TENTÁCULOS" que saíssem dos olhos para se apropriar dos objetos observados. Ou seja, quando, no início do século XVII, o holandês HANS LIPPERSHEY montou o primeiro tubo óptico com lentes, já havia passado muita água debaixo da ponte, ou melhor, foi preciso muita luz pra clarear os horizontes do conhecimento.

Vamos ver como funciona uma luneta simples, vamos montar uma pequena luneta. A gente precisa de duas lentes:

Uma OBJETIVA e uma OCULAR. A objetiva tem de ser colocada exatamente na frente do tubo da luneta. Depois, a ocular tem de ser fixada na extremidade de outro tubo móvel para possibilitar o ajuste de foco.

Não deve ter levado mais do que dez anos para que uma luneta como essa viajasse da HOLANDA para VENEZA e chegasse às mãos de GALILEU GALILEI. Ele foi um dos primeiros a apontar um desses tubos para o céu e fazer observações sistemáticas.

GALILEU viu imagens de pequenos pontos luminosos em torno de JÚPITER que se deslocavam ao longo do tempo, comprovando a existência de satélites no planeta, e uma forma anormal para SATURNO, indicando já o reconhecimento dos anéis. A Lua, que até então era considerada "lisinha" como uma pérola, apareceu para GALILEU toda enrugada e com áreas escuras, que ele chamou de mares lunares.

As observações de GALILEU mudaram muita coisa na astronomia. Os satélites de JÚPITER mostravam que nem tudo no céu girava somente em torno da Terra. SATURNO "deformado" rompia o equilíbrio da geometria do universo.

Essa visão harmônica do cosmos com esferas perfeitas se movendo de maneira equilibrada em torno da Terra, que predominava na época de GALILEU, foi representada nas ESFERAS ARMILARES... aqueles globos estranhos que a gente vê nas ilustrações dos sec XVII e XVIII.

É claro que nós vivemos "sobre" a Terra e que a primeira sensação é de que o céu está "a nossa volta". Mas a evolução dos instrumentos e do conhecimento sobre a luz abre as portas para novas concepções do cosmos.

O primeiro passo para se aprofundar na observação do céu foi melhorar a qualidade das lentes e corrigir as distorções que atrapalhavam as imagens de GALILEU. Depois começou a busca por mais luz. A única alternativa era "aumentar"...aumentar tudo: aumentar o diâmetro da objetiva e a distância focal, e melhorar a qualidade e a resolução da imagem.

O instrumento instalado na cúpula em que fizemos as gravações deste programa é essencialmente uma luneta, parecida com a de GALILEU, só que bem mais moderna. Ela foi produzida no século XX pela firma alemã Zeiss.

Imagem luneta
Luneta - Observatório Nacional
O diâmetro da objetiva é de 17,5cm, e a distância focal, de mais de 2,5m.O conjunto de oculares dessa luneta é intercambiável e, com elas, nós podemos olhar o céu de maneiras diferentes. Ela possui também uma luneta buscadora, que auxilia na localização das estrelas ou dos objetos que a gente esteja vendo.

A montagem do instrumento possibilita o acompanhamento dos movimentos do céu, para uma observação continuada dos astros.

É, mas a busca por mais luz ainda continua.

Tubos cada vez maiores e objetivas maiores e de melhor qualidade infelizmente não corrigem um problema estrutural básico. Cada uma das sete cores que formam a luz branca, ao atravessar um lente, converge para dois pontos focais diferentes: um próximo da luz azul e outro próximo do vermelho. Esse fenômeno é conhecido como ABERRAÇÃO CROMÁTICA e é uma característica básica do fenômeno de refração. Já na reflexão isso não acontece. Quando os raios de luz incidem sobre um espelho côncavo, eles convergem todos para uma região focal única, não há ABERRAÇÃO CROMÁTICA.

Voltando a usar o kit de óptica, a gente percebe que não dá pra observar a imagem formada sem interromper a entrada da luz. A solução é colocar um outro espelho antes do ponto focal, pra que a imagem se forme fora do campo do espelho principal. Quem primeiro utilizou essa montagem óptica foi ninguém mais, ninguém menos que ISSAC NEWTON, que lá pelo final do século XVII inaugurava a era dos telescópios REFLETORES.

Um telescópio NEWTONIANO é facilmente reconhecido, porque não há nenhuma lente recebendo a luz; quem recebe a luz é um espelho, um espelho primário que fica na base do tubo. Depois de receber a luz, o espelho primário envia para o secundário, um espelho plano, que fica mais ou menos próximo ao foco; esse espelho envia a luz para a ocular. Nesse tipo de montagem tanto óptica quanto mecânica, os amadores, em especial, fixam lunetas ou máquinas fotográficas para fazer registros de imagens de corpos celestes. Esse tipo de técnica chama-se GUIAGEM. Não devemos nos surpreender se olharmos imagens invertidas através das lunetas e telescópios. Essas montagens ópticas não são como das lunetas terrestres e essa inversão é indiferente para observação astronômica.

As imagens obtidas nesses instrumentos já nos ensinaram muito e encantam a todos, mas a astronomia quer mais, a astronomia precisa ir muito mais longe e com essa montagem óptica os tubos iriam ficando imensos. A astronomia buscava soluções que pudessem garantir a distância focal sem aumentar indefinidamente o tamanho dos tubos.

A solução já estava na mira dos astrônomos desde o começo do século XVII, mas só cem anos depois entrou em uso: a montagem CASSEGRAIN para telescópios refletores.

Hoje esse tipo de montagem é utilizada nos grandes telescópios e para trabalhos avançados em ASTROFÍSICA, como os que são desenvolvidos no LABORATÓRIO NACIONAL DE ASTROFÍSICA de BRASÓPOLIS, sul de Minas Gerais. Lá está instalado um telescópio refletor com um espelho primário de aproximadamente um metro e sessenta centímetros de diâmetro. A luz que chega no espelho bate no secundário e volta novamente por ele.
Imagem Brasópolis
Tratamento computadorizado


A grande sacada desse sistema óptico são a abertura no centro do espelho principal e o desenho parabólico da curvatura do espelho, que permitem um considerável ganho na qualidade da imagem e uma expressiva ampliação da distância focal.

Se este aparelho operasse como uma luneta refratora, ela teria um tubo com dezenas de metros. Os movimentos do telescópio possibilitam a localização de áreas específicas do céu. Agora já estão automatizados, controlados pelo computador. Também é um computador que permite o tratamento das imagens que não são observados pelo olho humano, mas por sistema eletrônico acoplado na ocular do telescópio. As imagens só são possíveis com a aplicação de tecnologia de ponta e com alta especialização. Para observações amadores e educativas existem telescópios mais simples de operar mas não menos sofisticados. Existem instrumentos que são básicamente telescópios refletores com montagem CASSEGRAIN, como o que existe em BRASÓPOLIS.

A diferença, além das proporções, é claro, é uma lente corretora na parte frontal, que permite observações de áreas extensas do céu. Por isso mesmo que este tipo de montagem é conhecida como CÂMERA SCHIMIDT. Instrumentos como estes são muito utilizados em projetos educacionais, como o que está sendo implantado em algumas cidades do interior do estado de São Paulo.

A Lua é sempre uma grande atração nestas observações. E um fenômeno que chama a atenção é a luminosidade da parte escura da Lua, próxima a fase de nova. Essa luminosidade não é nada mais do que o reflexo da luz da Terra incidindo na parte da Lua que não está recebendo diretamente a luz do Sol. É a chamada LUZ CINÉRIA.

A gente já falou das sete cores que compõem a luz branca visível. Cada uma delas é uma vibração eletromagnética com seu comprimento de onda específico. Ao atravessar um prisma, as cores se separam formando o ESPECTRO da LUZ VISÍVEL, que vai desde o vermelho, passando pelo alaranjado, o amarelo, o verde, o azul e o violeta.

Em condições especiais, a atmosfera funciona como um prisma e cria o arco-íris cheio de mistérios e lendas. Esse espectro quase não tem limites, se estende tanto para o ULTRAVIOLETA como para o INFRAVERMELHO. A mesma atmosfera que permite o arco-íris impede a penetração das radiações que são nocivas para a vida aqui na Terra. É por isso que os movimentos ambientalistas lutam contra a utilização de gases que aumentam o buraco na camada de ozônio, mas isso é assunto para outra hora.

A astronomia do visível, dos telescópios, trabalha nessa área, nessa pequena faixa do espectro magnético total. Essa luz traz uma grande quantidade de informação sobre os astros, sobre o universo. Mas quantos mistérios, quantas respostas podem ser encontradas se conseguirmos ver todas essas outras radiações?

É aí que começa a ASTRONOMIA DO INVISÍVEL. A astronomia do ultravioleta, do infravermelho . . . dos RÁDIO-TELESCÓPIOS.

Essa já é uma história do século XX, e mais uma das intervenções do acaso, ou mais uma "sincronicidade" científica. Em 1931, o engenheiro eletrônico KARL JANSKI pesquisava com antenas de rádio comum, pra resolver problemas de estática, aquela chiadeira que atrapalhava as transmissões. De repente ele começou a captar radiações estranhas. Ele as chamou de "DISTÚRBIOS ELÉTRICOS DE ORIGEM APARENTEMENTE EXTRATERRESTRE".

E ele tinha razão. As emissões de rádio que ele registrou vinham realmente de fora do planeta, mas não era nenhum ET aproximando seu dedinho luminoso de algum aparelho estranho. Eram as estrelas, as estrelas que estão constantemente emitindo radiações. Praticamente toda a matéria que conhecemos emite radiação em situações especiais.

Trabalhando na faixa do invisível, os radiotelescópios são capazes de identificar corpos celestes onde os telescópios visuais não registravam nada, ou as vezes enxergam muito pouco. Vai por aí a descoberta dos QUASARES e PULSARES. Mas também objetos extensos e bem mais próximos de nós, como o Sol e JÚPITER, ganharam novos modelos com a radioastronomia.

As parabólicas enxergam no invisível, portanto não precisam da noite para funcionar. Os radiotelescópios são montados preferencialmente em depressões de terreno e em áreas livres de emissoras de rádio e televisão, que provocariam interferências. As radiações eletromagnéticas vêm de todos os lugares do espaço. A luz visível e as ondas de rádio penetram pela nossa atmosfera.

Imagem Radiotelescópio
Rádiotelescópio de Itapetinga
O Rádio Observatório de ITAPETINGA, no estado de São Paulo, é o maior Rádio Telescópio do Brasil. Sua antena principal tem 14 metros de diâmetro. Ele funciona opticamente, como um telescópio Cassegrain, só que em Radioastronomia.
A parábola principal de 2,5m recebe as ondas de rádio, que refletem no secundário, passam pelo centro da antena e vão para um sistema de detecção no interior do observatório.

Cornetas metálicas de captação e os instrumentos instalados no centro da antena selecionam as freqüências do espectro que vão ser observadas. As ondas não visíveis do espectro atravessam tranqüilamente a redoma de material sintético que protege o aparelho e, depois de selecionadas pelas freqüências e comprimentos de onda, são registradas pelo computador dedicado à função.
Para melhorar e ampliar a capacidade de observação dos radiotelescópios, o caminho foi o mesmo da astronomia do visual, ou seja, AUMENTAR...aumentar as parabólicas e aprimorar as técnicas de captação e construção.

O maior radiotelescópio fixo é o de ARECIBO, em PORTO RICO, com 305 metros de diâmetro e que começou a operar em 1963. Dos radiotelescópios móveis, o maior deles é o que está montado no NOVO MÉXICO. É constituído por 27 antenas com 25 metros de diâmetro cada uma, formando um "Y" que funciona como uma única antena.

Entretanto, e sempre tem um ENTRETANTO, todos esses grandes instrumentos convivem com uma dificuldade básica: A ATMOSFERA...(e ainda bem que tem a atmosfera.) Apenas uma pequena parte das radiações que chegam ao planeta Terra consegue atravessar a camada protetora da atmosfera e chegar até a superfície. Pra estudarmos todo o espectro eletromagnético precisamos abandonar a ATMOSFERA.

A astronomia do visível e do ultravioleta sonhou muito tempo com um telescópio orbital como o HUBBLE, que foi lançado em 1990 por um ônibus espacial. Ele é capaz de coletar luz sem as interferências da atmosfera e, apesar dos problemas iniciais, já tem enviado imagens que impressionam pela beleza e abrem caminhos para a pesquisa moderna. Essa é uma das mais importantes aplicações derivadas da corrida espacial. Os telescópios orbitais possibilitam informações que, processadas em computação gráfica, revelam imagens belíssimas e muito significantes para a pesquisa.

Viajando a 300.000 quilômetros por segundo, a luz define os limites humanos para compreensão da matéria e do universo. . .

. . . e como o índio que entende o espírito do peixe, continuamos desenvolvendo nossos sentidos para apreender os CAMINHOS DA LUZ.



ENSINAR E APRENDER

          1 - Uma maneira 
          de verificar os efeitos da REFRAÇÃO é colocar um 
          lápis num copo d’água e pedir uma observação 
          simples. (Dá pra entender por que os índios arpoam o "espírito 
          do peixe"?)
A água pode ajudar de novo, se usarmos uma mangueira para borrifar água e posicionarmos os alunos em relação ao Sol de maneira a verem o arco-íris que se forma. É possível discutir as características do arco-íris de maneira bem simples, usando a refração da luz.

          2 - Para fazer 
          uma luneta simples é necessário, inicialmente, conseguir 
          duas lentes convergentes. O foco de uma tem de coincidir com o foco 
          da outra. Em outras palavras, basta aproximar uma lente da outra até 
          obter uma imagem ampliada, mas não se impressione se a imagem 
          aparecer invertida. O responsável por isso é o caminho 
          que a luz realiza da primeira lente (também chamada de objetiva) 
          para a segunda lente (ocular). Para observações terrestres, 
          essa inversão atrapalha um bocado, mas para a astronomia não 
          faz diferença.

Lembre-se de pintar de preto o interior do tubo da luneta para diminuir as reflexões da luz e os incômodos provocados por ela. Você vai perceber que a imagem terá alguns "fantasmas coloridos": são as "aberrações cromáticas" que, como o programa explica, causam problemas para as observações astronômicas.

Ah... sempre lembrando que não se pode observar o Sol diretamente sob nenhuma circunstância, principalmente com uma luneta. (Lembra da brincadeira de queimar papel com uma lente? Ela funciona muito bem pra ilustrar).