O som se propaga com grande facilidade no mar. A velocidade do som,
nos primeiros metros do mar, é quatro vezes e meia maior do que
a registrada no ar. Quanto maior a profundidade, mais a velocidade de
propagação do som aumenta. Há outros fatores, como
o aumento de temperatura e do índice de salinidade da água,
que facilitam essa propagação.
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O som, ao atravessar uma distância debaixo d'água,
sofre uma atenuação de intensidade menor do que
no ar. A absorção do som pela água do mar
varia de acordo com a freqüência, com o tipo de som,
e também é afetada pela reflexão do som em
partículas suspensas. Talvez seja por isso que muitas espécies
de peixes produzem sons, alguns com finalidades defensivas, para
afastar predadores, outros para atrair seus parceiros ao acasalamento.
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O som no mar: boa propagação
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Essas são teorias que necessitam de comprovação
e de muito trabalho de pesquisa, como os experimentos do Instituto de
Pesquisa da Marinha em Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro.

Osciloscópio: monitorando sons
de peixes
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"Nós temos aqui (no Instituto
de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, em Arraial do Cabo, RJ)
uma montagem destinada a medir sons emitidos pelas diferentes espécies
de peixes que habitam a costa brasileira. No momento nós
temos três espécies dentro de um tanque: o coió,
o paraty e o pampo. Todos são emitentes de sons,
e o sistema consiste basicamente de um hidrofone que possui uma
sensibilidade muito alta. Qualquer movimento no tanque, qualquer
batida aparece no osciloscópio. O sinal é detectado
no tanque e ampliado em diversos estágios e apresentado no
osciloscópio para monitoramento. |
Além disso, nós acoplamos um gravador para registrar esses
sons. Aqui fazemos a análise do som, apresentando na formaque seja
facilmente inteligível por qualquer acústico, de qualquer
parte do mundo, que é o sonograma. Então aqui nós
temos o exemplo de uma espécie, popularmente chamada de "porco".
Como esta existem muitas outras espécies das quais já temos
gravações, formando um catálogo, um banco de dados
que vai ser utilizado por outros pesquisadores do mundo todo e também
pela Marinha, com o objetivo de caracterizar os ruídos ambientes
gerados no mar da nossa costa."
Depoimento de Manoel Marteleto
Físico do IEAPM - Arraial do Cabo, RJ
Nós também estamos aprendendo com os peixes e com os
golfinhos. Como o método mais eficiente disponível para
transmissão de informações através da água
oceânica é o som, essa técnica é aplicada
na medição de profundidades, detecção de
objetos, localização de cardumes, disparo de instrumentos
submersos, telemetria e outras utilizações.
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As baleias também se comunicam através de sons.
Algumas delas possuem orgãos sensoriais que funcionam como
os sonares de submarinos. As baleias jubarte,
que freqüentam a região de Abrolhos, no sul da Bahia,
parecem cantar durante o acasalamento.
Na ilha de Santa Bárbara, a maior do arquipélago,
fica o posto fixo de observação dos biólogos
e técnicos do Projeto Jubarte, que acompanham as baleias
em suas visitas periódicas a essa área do litoral
brasileiro.
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Jubarte: visitas periódicas
a Abrolhos
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"Há uma baleia que eu vejo há duas semanas do ponto
fixo. Eu sei que é ela por causa de um machucado que ela tem na
base da cauda, muito grande, e umas marcas na dorsal. É gostoso
esse trabalho aqui do ponto fixo, porque às vezes a gente fica
acompanhando a baleia por seis horas, sabendo tudo o que ela está
fazendo, sem interferência nenhuma.

Teodolito: "aproximando" as baleias
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Aqui a gente observa o comportamento normal delas mesmo.
Quando você está num barco, às vezes ela pode
mudar de comportamento dela por causa do barulho do motor.
O teodolito é um instrumento que aproxima
bastante, a gente consegue ver a baleia bem de perto. Ele me dá
dois ângulos: um ângulo que é o horizontal,
que é a mesma coisa que a rosa dos ventos. Ele é
zerado sempre ao norte magnético e me dá um ângulo
vertical. A partir desse ângulo vertical, é usado
um programa de trigonometria para que se tenha a distância
que a baleia está do nosso ponto aqui.
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Com isso, depois a gente pode colocar numa carta náutica a distância
em milhas que a baleia estava daqui. Assim, podemos plotar exatamente o ponto da baleia na carta
náutica. E se eu pegar os borrifos que a baleia está dando
e plotar esses pontos na carta náutica, nós saberemos o
intervalo respiratório dela, o quanto ela deslocou naquele intervalo
respiratório. Com isso, podemos relacionar com batimetria - porque a carta náutica
daria a profundidade da baleia - e obter dados sobre a utilização
de hábitat, da preferência do animal."
Depoimento de Mia Morete
Bióloga do Projeto Jubarte - Abrolhos, BA
As baleias jubarte vão para Abrolhos em busca de suas águas
quentes. Nos meses de setembro e outubro, as temperaturas abaixam significativamente
nas águas da Antártida e as baleias deixam seus redutos
de farta alimentação em busca do aconchego das águas
da Bahia. Em Abrolhos, os filhotes formam suas camadas de gordura para
resistir ao frio antártico e aprendem com os pais os segredos
da corte e do acasalamento.
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Também no rumo norte flui uma corrente marítima
de profundidade conhecida como água antártica de
fundo. Pode ser até que as baleias naveguem acompanhando
essa corrente, que é parte do sistema de circulação
de águas profundas. Esta corrente ou massa de água
se forma no mar de Weddel, na Antártida. A formação
de gelo provoca um significativo aumento na salinidade, o que
também concorre para o aumento do peso específico dessa massa de água,
que acaba "afundando" nas águas mais quentes.
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Antártida: circulação
de águas profundas
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Ela segue, ao longo do fundo, em direção ao equador.
Diferentemente das correntes superficiais, as correntes de circulação
profunda - ou circulação termoalina - são lentas
e em geral tendem a adquirir movimento em direção ao equador.
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