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Oceanos: fontes de oxigênio

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Mata atlântica na Juréia (SP): oxigênio

Talvez pela exuberância das florestas, ou pela convivência próxima com as plantas e árvores, tenha sido fácil a propagação da idéia de que as áreas verdes são as principais responsáveis pelo abastecimento de oxigênio. De fato, o processo de fotossíntese que ocorre na presença da clorofila das plantas terrestres contribui para a renovação das condições da atmosfera. Mas as maiores fontes de oxigênio e outros componentes importantes para o ar são os oceanos. O oceano e a atmosfera são dois fluidos em permanente interação e disso depende, e muito, o clima e as condições de vida na Terra.


O sol, como fonte primeira de energia, é o grande motor dessa interação. Cerca de 30% da energia que chega à Terra é devolvida para o espaço. Dos 70% que ficam, cerca de um terço é absorvido pelas nuvens, vapores de água e outros gases presentes na atmosfera, como o gás carbônico e o ozônio. Os outros dois terços atravessam a atmosfera e são aproveitados pelos oceanos e continentes. Como os oceanos ocupam mais de 70% da superfície do planeta, eles recebem a maior parte da energia solar.

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Raios solares: energia para
oceanos e continentes

A capacidade da água de absorver calor é muito maior do que a da atmosfera, e isso torna o oceano um grande reservatório de calor. Essa energia em grande parte é aproveitada pelo fitoplâncton, composto por microalgas e outros vegetais maiores que flutuam na superfície ou nos primeiros metros do mar. Além de ser o nível básico da cadeia alimentar oceânica, o fitoplâncton é um dos grande responsáveis pela renovação do estoque de oxigênio e de outros componentes da atmosfera.

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Atmosfera atual: pouco gás carbônico

Um exemplo da importância dessa biomassa dos oceanos é o fato de que a atmosfera, nos primórdios da vida sobre a Terra, tinha uma concentração de gás carbônico (CO2) mil vezes mais alta do que a atual, que é de 0,35%. À medida que a atividade biológica foi se intensificando, o terrível efeito estufa a que a Terra estava submetida foi gradualmente substituído por um aumento na luminosidade solar. Desde então, o clima tem permanecido relativamente constante e adequado às formas de vida atuais.

Pela fotossíntese, os organismos do fitoplâncton fixam o carbono do CO2 atmosférico absorvido pelos oceanos como carbono orgânico em sua biomassa. Os animais marinhos se alimentam do fitoplâncton e, na seqüência da cadeia alimentar, parte desse carbono é transportado para as águas profundas e para o fundo do oceano. O fitoplâncton também libera CO2 para a atmosfera através da respiração. Tanto a fixação do carbono em biomassa como a produção de oxigênio pela fotossíntese são processos que têm um papel decisivo no balanço de gases da Terra.

Outra contribuição do mar para a atmosfera é na formação de nuvens. As nuvens são formadas pelo vapor da água que se condensa em torno de algumas substâncias químicas presentes na atmosfera, conhecidas como aerossóis de sulfato, que constituem os núcleos formadores de nuvens. A maior fonte natural destas substâncias é o dimetilsulfeto, um gás produzido pelas algas do fitoplâncton que é liberado para a atmosfera. As nuvens têm um papel importante no controle climático da Terra, aumentando ou diminuindo a capacidade de reflexão da energia solar e interferindo no equilíbrio térmico do planeta.

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Formação de nuvens: equilíbrio climático

A água e as temperaturas da Terra

E as interações entre o mar e o ar não param por aí. A energia do sol atinge a superfície da Terra com mais intensidade na faixa tropical do que nas regiões polares. Esse aquecimento diferenciado produz massas de ar com temperaturas diferentes. Para que exista um equilíbrio, essas massas de ar se movimentam e provocam os ventos, que por sua vez atuam na superfície dos oceanos gerando as ondas. As ondas ajudam a manter homogênea a temperatura da água nos primeiros dez metros do mar, que é a região em que mais de 60% da energia do sol é absorvida. Enfim, o oceano é um grande regulador térmico da atmosfera, cedendo e retirando calor quando é necessário.

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Circulação das águas: distribuindo calor

A circulação das águas dos oceanos em larga escala (as correntes marítimas), é agente fundamental da distribuição de calor na superfície da Terra. A circulação gerada pelo vento atua predominantemente nos primeiros cem metros de profundidade. O que caracteriza esse tipo de circulação são os chamados giros subtropicais e subpolares e o sistema de correntes equatoriais. Os giros subtropicais são limitados a leste e oeste pelos continentes, e ao sul e ao norte por correntes zonais. No hemisfério norte, as circulações são horárias, e no hemisfério sul são anti-horárias.

As correntes são mais intensas no lado oeste do que no lado leste. A corrente do Brasil é o movimento dominante no hemisfério sul. Na região equatorial, um pouco ao norte, passam as correntes norte e sul equatoriais, ambas para oeste.

A corrente sul equatorial praticamente se bifurca na região nordeste do Brasil, na área do arquipélago de Fernando de Noronha. É essa corrente de águas quentes, com temperaturas médias de 24º centígrados, que cria as condições favoráveis ao abrigo de várias espécies marinhas migratórias e à presença dos golfinhos rotadores.

As condições excepcionais da localização de Fernando de Noronha, as características vulcânicas de sua origem, a distância do continente, a disponibilidade de alimentação e, quem sabe, o encanto e a beleza do lugar, são os fatores de atração dos golfinhos rotadores. Não há notícia de outro local no oceano Atlântico como a baía dos golfinhos, onde centenas dos cetáceos dessa espécie, conhecida como Stenella Longirostris, se encontram para descansar, reproduzir e brincar. E há quem diga que os golfinhos têm um complexo código de comunicação.

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Noronha (PE): paraíso de golfinhos

"O trabalho preliminar de nossa pesquisa é definir os padrões de comportamento. Nós vamos gravar um som para cada grupo de golfinhos e ver se conseguimos notar uma diferença significativa entre eles. Cada grupo tem um padrão sonoro específico para os variados tipos de comportamento (amamentação, descanso, guarda, cópula). Definir esses padrões é o que a gente está tentando começar a fazer agora. É um trabalho de paciência, porque na realidade nós não temos um resultado imediato do que estamos vendo: a ocupação da baía, a quantidade de golfinhos que vêm por dia, o tempo que eles permanecem...
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Golfinho rotador: comportamento individual

A freqüência com que eles vêm está associada à disponibilidade de alimento na região ao redor de Fernando de Noronha. Se os golfinhos estão ao redor do arquipélago e têm bastante alimento, eles se alimentam à noite e vêm para a baía descansar. A alimentação diária corresponde a 10% do peso deles. Se não têm alimento à noite, eles continuam ao redor de Noronha procurando alimento ou se deslocam para outras áreas, como o Atol das Rocas.

Eles comem peixe-agulha, peixe-voador, garapau, lula e camarão.

Os golfinhos, depois do homem, talvez sejam os animais com o comportamento mais individual: um se comporta diferente do outro. Tem golfinhos, entre os marcados, que só vemos mergulhando na baía dos Golfinhos. Há outros que só vemos em outras áreas. Eles são bem determinados. Assim, se você pesquisa sobre vários métodos em várias áreas, você tem uma abrangência maior de indivíduos.

Fernando de Noronha, que é uma área emersa, está no meio de várias montanhas submersas. É uma região de 400, 500 quilômetros que tem a mesma formação vulcânica, onde vemos bancos de alimentação dos golfinhos rotadores. Temos o Atol das Rocas, Fernando de Noronha e até o rochedo São Pedro, São Paulo. Então os golfinhos rotadores oceânicos vivem nessa área e, por ser Noronha mais ou menos o epicentro dessa área geográfica, eles se concentram aqui. "
Depoimento de José Martins
Oceanógrafo - Fernando de Noronha, PE

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