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A capacidade da água de absorver calor é muito maior
do que a da atmosfera, e isso torna o oceano um grande reservatório
de calor. Essa energia em grande parte é aproveitada pelo fitoplâncton,
composto por microalgas e outros vegetais maiores que flutuam na superfície
ou nos primeiros metros do mar. Além de ser o nível básico
da cadeia alimentar oceânica, o fitoplâncton é um
dos grande responsáveis pela renovação do estoque
de oxigênio e de outros componentes da atmosfera.
Pela fotossíntese, os organismos do fitoplâncton fixam
o carbono do CO2 atmosférico absorvido pelos oceanos como carbono
orgânico em sua biomassa. Os animais marinhos se alimentam do
fitoplâncton e, na seqüência da cadeia alimentar, parte
desse carbono é transportado para as águas profundas e
para o fundo do oceano. O fitoplâncton também libera CO2
para a atmosfera através da respiração. Tanto a
fixação do carbono em biomassa como a produção
de oxigênio pela fotossíntese são processos que
têm um papel decisivo no balanço de gases da Terra.
E as interações entre o mar e o ar não param por
aí. A energia do sol atinge a superfície da Terra com
mais intensidade na faixa tropical do que nas regiões polares.
Esse aquecimento diferenciado produz massas de ar com temperaturas diferentes.
Para que exista um equilíbrio, essas massas de ar se movimentam
e provocam os ventos, que por sua vez atuam na superfície dos
oceanos gerando as ondas. As ondas ajudam a manter homogênea a
temperatura da água nos primeiros dez metros do mar, que é
a região em que mais de 60% da energia do sol é absorvida.
Enfim, o oceano é um grande regulador térmico da atmosfera,
cedendo e retirando calor quando é necessário.
As correntes são mais intensas no lado oeste do que no lado leste. A corrente do Brasil é o movimento dominante no hemisfério sul. Na região equatorial, um pouco ao norte, passam as correntes norte e sul equatoriais, ambas para oeste. A corrente sul equatorial praticamente se bifurca na região nordeste do Brasil, na área do arquipélago de Fernando de Noronha. É essa corrente de águas quentes, com temperaturas médias de 24º centígrados, que cria as condições favoráveis ao abrigo de várias espécies marinhas migratórias e à presença dos golfinhos rotadores.
"O trabalho preliminar de nossa pesquisa é definir os padrões
de comportamento. Nós vamos gravar um som para cada grupo de golfinhos
e ver se conseguimos notar uma diferença significativa entre eles.
Cada grupo tem um padrão sonoro específico para os variados
tipos de comportamento (amamentação, descanso, guarda, cópula).
Definir esses padrões é o que a gente está tentando
começar a fazer agora. É um trabalho de paciência,
porque na realidade nós não temos um resultado imediato
do que estamos vendo: a ocupação da baía, a quantidade
de golfinhos que vêm por dia, o tempo que eles permanecem...
A freqüência com que eles vêm está
associada à disponibilidade de alimento na região
ao redor de Fernando de Noronha. Se os golfinhos estão
ao redor do arquipélago e têm bastante alimento,
eles se alimentam à noite e vêm para a baía
descansar. A alimentação diária corresponde
a 10% do peso deles. Se não têm alimento à
noite, eles continuam ao redor de Noronha procurando alimento
ou se deslocam para outras áreas, como o Atol das Rocas. Os golfinhos, depois do homem, talvez sejam os animais com o comportamento
mais individual: um se comporta diferente do outro. Tem golfinhos, entre
os marcados, que só vemos mergulhando na baía dos Golfinhos.
Há outros que só vemos em outras áreas. Eles são
bem determinados. Assim, se você pesquisa sobre vários
métodos em várias áreas, você tem uma abrangência
maior de indivíduos.
Fernando de Noronha, que é uma área emersa, está
no meio de várias montanhas submersas. É uma região
de 400, 500 quilômetros que tem a mesma formação
vulcânica, onde vemos bancos de alimentação dos
golfinhos rotadores. Temos o Atol das Rocas, Fernando de Noronha e até
o rochedo São Pedro, São Paulo. Então os golfinhos
rotadores oceânicos vivem nessa área e, por ser Noronha
mais ou menos o epicentro dessa área geográfica, eles
se concentram aqui. "
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