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As praias e a atividade econômica

Na linguagem dos pesquisadores do mar, as praias devem ser conceituadas como ambientes sedimentares costeiros, formados, mais comumente, por areias de composição variada e afeiçoados pela interação dos sistemas de ondas incidentes sobre a costa.

Em outras palavras, as praias são realmente aquilo que parecem ser: o resultado da ação das ondas sobre a areia, formando os arcos nas enseadas entre os rochedos e as longas linhas de praia nas bordas dos continentes.

Embora as praias ocupem uma pequena parcela da superfície total da crosta terrestre, é significativa a sua ocorrência ao longo das costas tropicais e temperadas do mundo. As regiões costeiras vêm ganhando cada vez mais importância socioeconômica; as praias arenosas oceânicas são ecossistemas que ainda carecem de estudos que avaliem o impacto de sua ocupação.

No Brasil, especialmente, as praias assumem destacada importância, porque distribuem-se ao longo de toda a costa. Apenas no extremo norte elas são quase totalmente substituídas por planícies de marés dominadas pela lama proveniente dos grandes rios da região. No restante da costa brasileira, multiplicam-se as atividades comerciais, industriais e de turismo, promovendo a urbanização e a ocupação por vezes desordenada das praias.

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Praias brasileiras (em amarelo): urbanização

As campanhas de esclarecimento, por enquanto, concentram esforços na limpeza das praias e na divulgação de condições de balneabilidade. Embora louváveis, são esforços limitados e claramente direcionados para a preservação da imagem dos balneários e os rendimentos do turismo. É urgente o aumento do investimento em pesquisa para que se aprofunde o conhecimento sobre as nossas praias, com o objetivo de preservar o equilíbrio estrutural desses ecossistemas.

Frágil equilíbrio

Em alguns pontos do litoral, esse desconhecimento sobre o frágil equilíbrio das praias já causou problemas sérios, como é o caso de Atafonas, no norte do estado do Rio de Janeiro.
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Atafona (RJ): desequilíbrio ambiental
A cidade, que fica na barra do rio Paraíba do Sul, já teve mais de dois quilômetros de ruas, casas e instalações públicas ocupados pelo mar. Vários fatores causaram essas mudanças, entre eles as alterações no fluxo do rio e a destruição da vegetação e dos manguezais das margens do estuário. Mas foi o desconhecimento da dinâmica das praias da região e a falta de informação sobre os sistemas de ondas que incidem na costa que concorreram para o rompimento do equilíbrio do ecossistema.

São muitas as intervenções humanas que provocam alterações nas praias, mas é importante reconhecer os mecanismos naturais que constantemente redefinem a linha da costa.

Do ponto de vista da história geológica, as praias são tão antigas quanto os continentes. Desde a última grande variação do nível do mar na costa brasileira, a tendência tem sido de regressão contínua. Nos últimos 5.100 anos, o nível do mar recuou cerca de 4 ou 5 metros, configurando as praias arenosas, as feições de barreiras e outros depósitos arenosos na linha da costa.

Nas últimas décadas, no entanto, os dados coletados têm evidenciado uma elevação do nível do mar em dezenas de centímetros por década. Os pesquisadores atribuem as causas desse fenômeno a dois fatores: uma mudança do ciclo natural planetário ou o aquecimento provocado pelo efeito estufa - e o conseqüente derretimento de geleiras.

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Geleiras derretendo na Antártida:
aquecimento do planeta

Eventos como tormentas e furacões, e mesmo situações menos poderosas, como tempestades tropicais ou passagem de frentes frias, podem provocar alterações permanentes ou transitórias nos perfis de praias. Mas a constante ação das ondas, milhares, milhões de ondas arrebentando insistentemente, é o que constrói e destrói as praias, molda as linhas da costa.

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