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Na linguagem dos pesquisadores do mar, as praias devem ser conceituadas como ambientes sedimentares costeiros, formados, mais comumente, por areias de composição variada e afeiçoados pela interação dos sistemas de ondas incidentes sobre a costa. Em outras palavras, as praias são realmente aquilo que parecem ser: o resultado da ação das ondas sobre a areia, formando os arcos nas enseadas entre os rochedos e as longas linhas de praia nas bordas dos continentes. Embora as praias ocupem uma pequena parcela da superfície total da crosta terrestre, é significativa a sua ocorrência ao longo das costas tropicais e temperadas do mundo. As regiões costeiras vêm ganhando cada vez mais importância socioeconômica; as praias arenosas oceânicas são ecossistemas que ainda carecem de estudos que avaliem o impacto de sua ocupação.
As campanhas de esclarecimento, por enquanto, concentram esforços na limpeza das praias e na divulgação de condições de balneabilidade. Embora louváveis, são esforços limitados e claramente direcionados para a preservação da imagem dos balneários e os rendimentos do turismo. É urgente o aumento do investimento em pesquisa para que se aprofunde o conhecimento sobre as nossas praias, com o objetivo de preservar o equilíbrio estrutural desses ecossistemas.
Em alguns pontos do litoral, esse desconhecimento sobre o frágil equilíbrio das praias já causou problemas sérios, como é o caso de Atafonas, no norte do estado do Rio de Janeiro.
São muitas as intervenções humanas que provocam alterações nas praias, mas é importante reconhecer os mecanismos naturais que constantemente redefinem a linha da costa. Do ponto de vista da história geológica, as praias são tão antigas quanto os continentes. Desde a última grande variação do nível do mar na costa brasileira, a tendência tem sido de regressão contínua. Nos últimos 5.100 anos, o nível do mar recuou cerca de 4 ou 5 metros, configurando as praias arenosas, as feições de barreiras e outros depósitos arenosos na linha da costa.
Eventos como tormentas e furacões, e mesmo situações menos poderosas, como tempestades tropicais ou passagem de frentes frias, podem provocar alterações permanentes ou transitórias nos perfis de praias. Mas a constante ação das ondas, milhares, milhões de ondas arrebentando insistentemente, é o que constrói e destrói as praias, molda as linhas da costa.
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