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Os manguezais são ecossistemas costeiros das regiões de clima quente do planeta. Estão localizados na faixa entre a maré alta e a maré baixa, junto à foz dos rios, no interior de baías, estuários e outros locais protegidos da ação das ondas do mar, onde a água doce e a água salgada se misturam em diferentes proporções. Os manguezais no Brasil se estendem desde o Oiapoque, no Amapá, até Laguna, em Santa Catarina. Mais ao sul as temperaturas são muito baixas para o desenvolvimento das espécies do manguezal. A faixa sul-sudeste da costa do Brasil apresenta manguezais exclusivamente em baías, estuários e áreas protegidas da grande energia do mar. É o caso do complexo estuarino da região de Iguape e Cananéia, no litoral sul do estado de São Paulo.
Depoimento de Clemente Coelho Jr. Biólogo - IOUSP
Essas espécies são predominantes também ao longo de toda a costa brasileira.
A principal diferença entre os manguezais brasileiros está em suas dimensões. Nas regiões norte e nordeste, onde a variação dos limites entre as marés é maior, o manguezal apresenta bosques com até 30 metros de altura. A ilha do Caju, no delta do Parnaíba, é uma área praticamente livre da ação humana. Apesar disso, os pesquisadores já detectam os sinais da falta de cuidado com as margens dos rios e com a ocupação das franjas dos manguezais.
E o material orgânico daqui - as folhas do manguezal e o
próprio resíduo urbano, industrial e doméstico
das cidades - é todo carreado para o mar. Esse tipo de delta
de mar aberto (delta do rio Parnaíba) tem esse problema: por
ser de mar aberto, o delta não tem pequenos igarapés, que favoreceriam o processo
de transformação dessa matéria orgânica em
nitrogênio e enxofre para as novas proteínas. O material
orgânico é diretamente perdido para o mar. A falta de proteínas
ocasiona a perda de biomassa e todas as populações são
diminuídas. Isso quer dizer o seguinte: o hábitat natural
de uma conchinha, por exemplo, é em sedimento lodoso. Nos locais
em que já houve deposição de material silicoso,
observa-se uma grande quantidade de valvas abertas, mortas. A população
delas seria muito maior, não fosse a deposição
irregular do material silicoso carreado pelo rio".
Ainda em função do trabalho de preservação da ilha do Caju, é possível encontrar uma fauna rica e bem desenvolvida, como os belos caranguejos-uçá. A produção dos manguezais do delta do Parnaíba ainda é muito grande: os catadores da região fornecem caranguejos para todo o norte e nordeste, com algumas sobras para exportação. Mas a maior parte da produção de carne de caranguejos na região é processada ainda em regime familiar, gerando uma renda insuficiente.
A lama escura do manguezal é banhada pelas águas salobras do estuário. Quando a maré recua, os caranguejos saem da toca. Eles realizam um importante trabalho de movimentação constante do sedimento do manguezal, construindo galerias e trazendo para a superfície parte dos sedimentos, rica em nutrientes, que vai ser transportada pelas águas do estuário na próxima maré. Se a captura de caranguejos for muito superior à capacidade de reprodução das espécies, o manguezal perderá um elo muito importante da sua cadeia alimentar. É verdade que os caranguejos se reproduzem em boa quantidade, mas é importante encontrar um ponto de equilíbrio, uma forma sustentável de explorar esse recurso do ecossistema. |