volta - Alô Escola

 
Índice de Programas

Índice fauna e flora

Ensinar e Aprender


Pedras: disputa por abrigo

É possível imaginar uma seqüência na ocupação de uma rocha. Primeiro vêm as algas verdes, que são as que se fixam mais facilmente, mesmo em águas bem agitadas. Em seguida, as larvas das cracas, dos mexilhões e de outras espécies encontram condições para abrigo e alimentação e começam a exercitar seus métodos de fixação. É a competição por espaço.

Foto 5
Ocupação da rocha: competição

A esta altura, a configuração do costão, na zona entre marés, já está toda alterada e surgem novos habitantes, como os pequenos caranguejos e outros animais raspadores que se alimentam das algas.

Um pouco mais fundo, na zona submersa, começam a aparecer os sargaços e os ouriços.

Já na zona acima das marés, estão mais presentes os organismos que suportam exposições mais demoradas ao ar. Além das bactérias, microalgas e líquens, que também são alimento para as litorinas e lapas, existem as baratinhas d'água. É curioso saber que essas baratinhas não são insetos e fazem parte da cadeia alimentar que habita o limite entre o mar e o continente.

Essas faixas de fixação da vida no litoral rochoso são denominações utilizadas pelos pesquisadores para facilitar o estudo das espécies presentes. O zoneamento do litoral nem sempre tem limites claramente delineados e muitas vezes ocorrem sobreposições e deslocamentos. A amplitude vertical das faixas de fixação varia ao longo da costa, de acordo com as marés e também em função da ação das ondas.

A luz e a vida no mar
Foto 6
Mergulho em Noronha: ótima visibilidade

Outro fator que influencia a distribuição da vida ao longo dos paredões tem a ver com a luz, as diferenças na transparência das águas, a profundidade até onde a luz consegue penetrar na água do mar. Assim como nos continentes, existe uma relação direta entre a presença de luz e as diferentes formas de vida. Os pigmentos das plantas, por exemplo, são adaptados para absorver com maior eficiência a energia da luz nos comprimentos de onda em que ela se propaga através da água.

Os feixes de luz sofrem uma diminuição na sua intensidade ao passar pela água do mar, devido à absorção ou espalhamento da energia luminosa. Tanto a água como as partículas e os microorganismos distribuídos no mar podem ser a causa dessa perda de intensidade. Antes disso, a reflexão na superfície já diminui a intensidade da luz, dependendo também do grau de agitação da superfície do mar.

O ângulo de incidência dos raios solares também faz diferença na penetração da luz no mar. Próximo do equador, onde o ângulo de incidência é maior, a luz penetra mais na água do que nas regiões que circundam os pólos. Temos um bom exemplo disso nas belas imagens do pôr-do-sol no mar. O forte reflexo da luz do sol nas águas durante o crepúsculo é um dos fenômenos que contribuem para que a temperatura da água do mar seja mais baixa, por exemplo, na região sul do Brasil do que no litoral do nordeste, com suas águas sempre quentinhas.


As cores e o mar

A água funciona mais ou menos como um prisma, refratando os raios de luz e ao mesmo tempo separando e filtrando os diferentes comprimentos de onda. As freqüências correspondentes ao vermelho, laranja e amarelo são absorvidas quase totalmente. Os tons de verde e violeta conseguem alguma penetração, mas o comprimento de onda referente ao azul é o de maior penetração.

Foto 7
Gravação submarina: luz especial

Para obter os tons próximos ao vermelho, as câmeras de TV requerem um equipamento de iluminação especial, que reforça esses comprimentos de onda.

A água funciona também como uma espécie de lente de aumento, que deixa os objetos cerca de 25% maiores. Isso ocorre quando a luz passa da água para o ar que está no interior da máscara do mergulhador, ou da caixa estanque para a câmera de vídeo.

O tom azul profundo do mar dá a impressão inicial de água pura, limpa. E isso é mesmo verdade. A cor azul das águas oceânicas deve-se ao espalhamento de moléculas de água, apenas. Mas alguns conhecedores do mar chamam este azul de "cor do oceano deserto", pois é a cor da água sem vida.

As águas costeiras são mais turvas devido ao espalhamento mais intenso da luz, provocado pelo material terrígeno ou orgânico em suspensão. As águas são esverdeadas por abrigar uma grande população de microorganismos formadores do plâncton.

O fitoplâncton é composto, em sua maior parte, por microalgas que absorvem a luz solar para realizar a fotossíntese. Da mesma maneira que as plantas terrestres, fixam gás carbônico e liberam oxigênio para a atmosfera. É importante lembrar que esses vegetais microscópicos formam a base da cadeia alimentar dos oceanos. Sem eles, nada existiria.

O zooplâncton, formado de pequenos crustáceos, medusas e outros animais microscópicos, já são consumidores dos microvegetais e convivem no plâncton formando a biomassa que serve de alimento para peixes de todas as espécies e dimensões. Os animais do zooplâncton, no entanto, não sofrem as restrições diretas da presença da luz e podem ser encontrados em maiores profundidades no mar.

A zona costeira onde está concentrada a maior parte do fitoplâncton, que corresponde a menos de 10% dos oceanos, é responsável por mais de 95% da produção pesqueira. Por esses dados é possível compreender a importância da luz e do processo de fotossíntese nos ciclos vitais do mar.

A faixa do mar que recebe luz constantemente é chamada de zona fótica. Na área costeira ela chega no máximo a 30 metros de profundidade, enquanto no mar aberto a faixa pode atingir 100 metros ou mais. O olho humano pode distinguir detalhes de um objeto no máximo a 50 metros de distância, em casos de transparência excepcional da água.

PÁGINA ANTERIOR   PRÓXIMA PÁGINA