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Desde 1987 e ao longo dos seis anos seguintes, o museu experimentou um diálogo internacional com artistas visitantes.

Depoimento de Kick Homeijster, artista plástico . "I think it's nice that museums have artists in residence inside, working, making real works and teaching, because the artist can give in another field more than the art-educator".
("Eu acho muito interessante que museus tenham artistas residentes, trabalhando, fazendo obras e ensinando, porque o artista pode ajudar em níveis diferentes do arte-educador.")

Kick, um holandês que descobriu no Brasil o isopor como suporte para suas esculturas, deu dois cursos em 1993. Mas o museu também organiza exposições temporárias, como a de releituras de Miró por diferentes artistas. São temporárias também as exposições de organização do acervo dentro de um determinado código.

No inventário de obras-primas do MAC/USP, Pablo Picasso assina a tela "Figuras", que se desdobra em dois perfis. Umberto Boccioni assina a garrafa desdobrada em muitas arestas. O acervo de preciosidades revela um Henri Matisse num dos temas prediletos de sua última fase, uma "Natureza Morta". E Wassily Kandinsky, encantado por linhas e cores, se mostra na tela "Composição Clara".

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PABLO PICASSO

"Figuras" - 1945 (Detalhe)
Óleo s/ tela
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UMBERTO BOCCIONI

"Desenvolvimento de Uma Garrafa no Espaço - 1912
Bronze
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HENRI MATISSE

"Natureza Morta" - 1941
Óleo s/ tela
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WASSILY KANDINSKY

"Composição Clara" - 1942
Óleo s/ tela

. "O MAC, em seu acervo internacional, tem obras da maior importância. É o caso do De Chirico, que foi adquirido por Oswald de Andrade na década de 20, em Paris e, posteriormente, oferecido de presente a Ciccillo por alguns empresários".
Depoimento de Aracy Amaral.

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GIORGIO DE CHIRICO

"Enigma de Um Dia" - 1914
Óleo s/ tela
. "Um De Chirico da fase metafísica é realmente uma obra-prima. Comparativamente, desta fase não há nenhuma na Itália".
Depoimento de Lisbeth Rebollo Gonçalves.

. "Nós temos o Sofficci, que é uma obra realmente de museu. Nós temos um Picabia da década de 40, que é de grande qualidade. E temos alguns Magnelli que constituem o maior momento de sua carreira como pintor".
Depoimento de Aracy Amaral.

O italiano Carlo Carrá, depois de ser um dos fundadores do futurismo e de se converter à arte metafísica, mostra no "Banho dos Marinheiros" sua última fase: o retorno à tradição. É o noveccento que se anuncia.


. "No MAC talvez não exista uma grande quantidade de obras do noveccento, mas tem artistas pontuais. Tem o Arturo Tosi, que seguia uma tendência cesaniana. Tem o Mário Sironi, que resgataria toda uma visualidade pré-renascentista. E o público pode fazer algumas ligações com artistas que emergiram na cena paulistana nos anos 30, como o Fúlvio Pennachi e o Rebolo".
Depoimento de Tadeu Chiarelli.

. "No campo da escultura, por exemplo, você tem o trabalho de um Calder... a idéia da emancipação da própria gravidade, uma libertação do peso".
Depoimento de Agnaldo Farias.

Transposta para a tela, a libertação do peso se expressa na "Primavera" de Marc Chagall, o surrealista onírico do acervo de preciosidades do MAC/USP. Também surrealista, Max Ernst intriga usando o estilo de colagem dos cubistas. O surrealismo teve no Brasil, como um dos raros seguidores, Ismael Nery.

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MARC CHAGALL

"Primavera" - 1938/39 (Detalhe)
Aquarela e pastel s/ cartolina s/ papelão
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ISMAEL NERY

"Figura", c. 1927/28
Óleo s/ tela

A coleção de artistas brasileiros abriga um Rêgo Monteiro, o único modernista que teve verdadeira projeção no exterior. Os demais modernistas despertaram apenas curiosidade pelo exotismo de seus trabalhos. Alfredo Volpi está representado por um conjunto significativo de obras. No setor de esculturas, Brecheret celebra as formas novas que o modernismo revelou.

. "Tem o Rubem Grilo, que é uma espécie de mágico, capaz de fazer gravuras onde tem um universo fantástico, com movimento, com um certo humor. Tem o Evandro Jardim, que trabalha as luzes lindamente na gravura em metal e com um mundo mágico, urbano, semi-rural, onde ele é capaz de transformar uma revoada de pássaros numa sinfonia incrível de tonalidades".
Depoimento de Renina Katz.

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RUBEM GRILO

"Palco e Platéia" - 1984 (Detalhe)
Xilografia s/ papel
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EVANDRO CARLOS JARDIM

"São Paulo Cidade, Pressa e Tarde Triste" - 1967
Água, tinta e buril s/ papel

. "Eu acho que a importância da coleção brasileira do MAC nunca vai ser suficientemente enfatizada. É a única coleção em um museu que é especificamente de arte brasileira do nosso tempo".
Depoimento de Aracy Amaral.

Concebido para ser contemporâneo, o MAC/USP tem pela frente alguns desafios. Um deles é obter recursos para preencher a defasagem que vem experimentando desde os anos 80. Mas a história que se contou aqui propõe outro desafio. É preciso decifrar o enigma do tempo presente, da contemporaneidade. Sabe-se do tempo passado. Imagina-se o tempo futuro. O presente é intangível.

. "Hoje em dia, no campo estético não há linhas definidas, não há movimentos definidos, está tudo fragmentado. O que se poderia caracterizar como arte contemporânea é um fenômeno de alta complexidade, onde predomina a multiplicidade de linguagens, de meios e códigos."
Depoimento de Júlio Plaza.

. "Então pense a produção artística, essa que caminha em direção ao ano 2000 como uma fronteira muito móvel, muito cediça, sem linhas claras que a demarquem, abrindo em todas a possibilidades".
Depoimento de Agnaldo Farias.

. "Porque a arte é acima de tudo algo que surpreende. A tal ponto que, enquanto o mundo todo parecia se comportar no ritmo de uma instalação, acontece, nos anos 80, o contrário. Acontece uma volta à tela".
Depoimento de Nélson Aguilar.

. "Você passa a perceber na produção mais recente uma relação, um diálogo com a história, com o passado, desde formas arquetípicas ou mesmo ligadas à própria história da pintura. Por exemplo em trabalhos recentes de Daniel Senise, ou trabalhos mais abstratos, mais matéricos dos jovens artistas da Casa 7, onde se discute um determinado meio da pintura moderna".
Depoimento de Agnaldo Farias.

. "A gente vai poder aproveitar todas as novas perspectivas, até mesmo da computação gráfica, o que vai mudar é o jeito com que a gente vai tratar isso".
Depoimento de Renina Katz.

. "Considerando que a arte trabalha com a fronteira do próprio homem, com a fronteira do que ele percebe, do que ele é capaz de expressar, essa ampliação fala da ampliação do próprio homem, do ser do homem mesmo".
Depoimento de Agnaldo Farias.

"O mistério é a arte desse século. Quem a fez? O que ela é?
O momento futurista torna-se o momento presente. Você está nele".
John Cage


FICHA TÉCNICA:
Realização:
TV Cultura - 1994
Direção, roteiro e produção: Estela Padovan, Flávia Soledade e Regina M. Ferreira
Texto: Inês Knaut
Imagens: José Elias da Silva e Elizeu Ferreira
Chefe de Redação: Vicente Adorno
Departamento de Documentários: Teresa Otondo