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As bienais começaram como grandes exposições internacionais organizadas pelo Museu de Arte Moderna. A inspiração de Ciccillo veio da Bienal de Veneza, onde representou o Brasil em 1948. A França foi a primeira a aderir, sob influência direta de Yolanda Penteado. Depois foi a vez da Itália, somando ao final dezenove países e cerca de 1.800 obras. Só em 1962 as bienais seriam desvinculadas do Museu de Arte Moderna, surgindo a Fundação Bienal de São Paulo.
A 1ª Bienal do Museu de Arte Moderna de São Paulo foi inaugurada em outubro de 1951. Chovia muito e a disputa por espaço entre os cerca de 5 mil convidados obrigou o ministro das Relações Exteriores a entrar pela janela. A avenida Paulista, endereço da exposição, transformou-se em centro mundial das artes.
O escultor inglês Henry Moore veio pessoalmente e foi premiado. Esta bienal marcou a transferência da primeira sede do museu, na rua Sete de Abril, para o Parque do Ibirapuera, projetado por Oscar Niemeyer. A construção fazia parte dos festejos do IV Centenário da cidade de São Paulo, organizados por Ciccillo.
As bienais não só resgataram o país do degredo cultural como deixaram, sob forma de prêmios de aquisição, várias obras para o acervo do museu. Contribuíram, sobretudo, para encorpar consideravelmente a coleção de trabalhos em papel, que representa quase 50% do acervo. |
Ainda sobre as bienais, é preciso somar na conta dos benefícios o fato de elas terem provocado a criação de seções especializadas em artes plásticas nos jornais. Além disso, de terem promovido o surgimento de galerias de arte e marchands. Mas na soma dos malefícios, as bienais acabaram sendo o pivô da extinção do Museu de Arte Moderna patrocinado por Ciccillo.
A doação do acervo do Museu de Arte Moderna à USP deu-se por uma decisão unilateral de Ciccillo Matarazzo, ainda que ele tivesse o apoio de alguns membros do conselho. A medida trouxe alguns ressentimentos, mas Ciccillo acreditava que assim livraria o museu da crônica falta de recursos em que estava mergulhado. Amigo do reitor da universidade, Ulhôa Cintra, recebeu dele a promessa de que o acervo ganharia uma sede própria no campus da Cidade Universitária.
A polêmica continua acompanhando o museu. Agora não mais por "abrir as portas do impossível", como queriam os futuristas, ou por "levantar o diabo na água morta", como pretendia Ciccillo. Desde que passou à USP, não se conseguiu que o acervo fosse acomodado em uma única sede. Além disso, desvinculado da bienal e dependendo de doações para se atualizar, ele caminha para ser um museu que fala do passado. As últimas grandes doações resultaram do espólio de Yolanda Mohaly, composto de 26 obras, e da coleção de Theon Spanudis, num total de 364 obras, em que se destaca o construtivismo das gerações pós-1960.
Durante sua gestão, a arte-educadora Ana Mae Barbosa descobriu uma maneira de preencher lacunas da produção contemporânea.
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Década de 60. Empurrada pelos ventos modernistas, ajudada pela bússola das bienais, a viagem das vanguardas encontrou seu continente. Jovens artistas desembarcaram no edifício do Parque do Ibirapuera e lá instalaram a arte contemporânea brasileira.
Ao se buscar a genealogia dos movimentos, o concretismo se revela como filho caçula do modernismo e pai da arte conceitual. Formas autônomas, cores, relações de fundo e figura brincam com o olho do espectador, com suas idéias. É o abstracionismo europeu dos anos 20, aclimatado no Brasil dos anos 50. O MAC guarda obras desse tempo.
O movimento concretista foi liderado por um grupo paulista chamado Ruptura. Congregava, entre outros, Waldemar Cordeiro, Maurício Nogueira Lima, Geraldo de Barros, Sacilotto e os irmãos Campos.
Década de 70. A arte que já havia discutido as formas, as cores, a maneira de o olho enxergar o mundo e o uso do pincel, recorreu novamente à tecnologia. Não à maneira dos futuristas, espectadores do progresso. Os anos 70 foram radicais. A arte e a tecnologia se confundiam num espetáculo único.
Quase simultânea à criação do Ruptura, ainda nos anos 50, artistas cariocas formaram o Grupo Frente, que viria a ser conhecido como neoconcreto. Ivan Serpa, Ligia Clark e Hélio Oiticica, entre outros, deram uma interpretação menos fria às formas puras de seus colegas paulistas.
O resgate da emoção promovido pelos neoconcretos ainda foi tímido. No início de 1962, Hélio Oiticica radicalizou e pregou a anti-arte, a exacerbação das emoções. Happenings, instalações, arte corporal e arte da paisagem... todos deslocavam a discussão para o território dos conceitos. A polêmica habita a própria obra, anunciando a negação do objeto de arte e, como decorrência, a negação do mercado de arte.
A magia de um trem nos versos de Raul Bopp e no colorido primitivo de Tarsila do Amaral chama para o embarque no bê-á-bá modernista.
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